7 dias, 7 propostas por Maria João de Almeida

1. Consultar
Livro 100 grandes vinhos de Portugal
Editado pela ZestBooks (versões em português e inglês)
Domingo, 19 de dezembro


Poderia sugerir outras coisas em primeiro lugar, mas depois de ter demorado quase dois anos a lançar o meu novo livro por causa da pandemia tenho mesmo de o recomendar para este Natal, porque só assim posso valorizar o trabalho da equipa que participou neste projeto. 100 Grandes Vinhos de Portugal revela a minha seleção de 100 vinhos de grande qualidade, brancos, tintos e espumantes, e até alguns rosés, através dos quais ficamos a conhecer as histórias de muitos produtores nacionais, a perceber diferentes métodos de produção, e a compreender a lógica e as razões de cada enólogo quando fez determinado vinho. E, como acredito que um livro de vinhos também pode ser original, a ideia que tive de fotografar as garrafas com um objeto que contasse a história do produtor, de uma região ou das suas castas, foi interpretada de forma sublime pela M&A Creative Agency através de fotografias super criativas e de um design espetacular. Uma obra de arte cheia de requintes, com a lombada cosida à mão, uma capa de madeira cortada à medida, e uma chapa de cobre com o título do livro gravado. Um orgulho ter feito este livro editado pela ZestBooks, em português e inglês (edições separadas). Sorte de quem o receber no Natal!

2. Vinho
Garrafeiras
Garrafeira Estado d"Alma, Garrafeira de Campo
de Ourique, Garrafeira Nacional, Wines 9297
Segunda-feira, 20 de dezembro


Uma refeição sem vinho não tem graça nenhuma, e no Natal muito menos! Por isso, há que abastecer a despensa para regar as refeições entre amigos e família. Recebo muitos telefonemas nesta época a pedir conselhos sobre vinhos, que dou, mas o que faço geralmente é direcionar as pessoas para as garrafeiras. Além de serem espaços onde existe uma grande diversidade de vinhos que geralmente não se encontram nas grandes superfícies, existe também um aconselhamento e atenção que não encontramos nos supermercados. Ir a garrafeiras não é só apoiar o comércio local, mas também sustentar projetos de pequenos produtores que nos trazem muita alegria à mesa. Digo sempre que o verdadeiro apreciador é aquele que sai do seu lugar de conforto e procura marcas que não conhece para as provar e comparar com outras que já conhece. Só assim se aprende. Como sou de Lisboa aconselho alguns espaços incontornáveis como a Garrafeira Estado d"Alma, a Garrafeira de Campo de Ourique, a Garrafeira Nacional ou a Wines 9297. Mas há muitas mais, e outras tantas pelo país fora, e assim de repente recordo-me das Garrafeiras Tio Pepe e Garage Wines (no Porto), a Cave Lusa (em Viseu), Garrafeira 5 Estrelas (em Aveiro) ou as Garrafeiras Soares (no Algarve), só para citar algumas.

3. Visita
Feira da Ladra
Lisboa
(terças e sábados)
Terça, 21 de Dezembro

Vou à Feira da Ladra desde que me lembro de ser gente. Nasceu no século XIII e passou por vários lugares da cidade (o Castelo, Praça da Alegria, entre outros) até ao ano de 1882, quando se fixou no Campo de Santa Clara, na freguesia de S. Vicente. Se em adolescente ia lá vender roupa usada para ganhar uns trocos, agora vou porque sou viciada em velharias e acabo quase sempre por trazer alguma coisa para casa. Quem é de Lisboa ou visita a cidade tem mesmo de lá passar a um sábado ou às terças. É um mercado onde existe tudo e mais alguma coisa, desde artigos usados (a maioria) a novos, um pouco como acontece em Londres ou Paris, nos mercados de Portobello Road e no Marché aux Puces, por exemplo. E tanto podemos encontrar artigos interessantes como máquinas fotográficas antigas, móveis usados, loiças, camisas e sapatos, discos de vinil, brinquedos, relógios e uma infinidade de outras coisas; como inutilidades como uma pega de porta de frigorífico, uns chinelos sujos e rotos, ou uma escova de dentes usada. Ali vale tudo!

4. Série
Maid
Streaming
Netflix
Quarta, 22 de dezembro



A vida e obra literária Superação: Trabalho Duro, Salário Baixo e o Dever de Uma Mãe Solteira, da autoria de Stephanie Land, deu origem a uma minissérie da Netflix, Maid (Criada), que é absolutamente imperdível. Esta história narra a experiência de Alex, uma mãe solteira que, após finalizar um relacionamento tóxico e sem apoio da família, começa a trabalhar como empregada doméstica para sustentar a sua filha e para estudar e tirar uma licenciatura. A atriz Margaret Qualley dá vida a Alex e revela através deste papel um retrato duro da realidade de muitas mulheres. É certo que todos temos problemas por resolver na vida, mas esta mini-série da Netflix mostra-nos que a maior parte deles podem perfeitamente ser relativizados.

5. Comer
Restaurante O Nobre
Av. Sacadura Cabral 53B
Campo Pequeno, Lisboa
Quinta, 23 de dezembro



Passo a maior parte do tempo da minha vida profissional fora de casa, em hotéis, adegas e restaurantes, por isso, ao contrário da maioria das pessoas que querem "laurear a pluma" para conhecer novos lugares, a mim apetece-me é estar em casa sempre que posso e cozinhar para a família e amigos. No entanto, quando não estou para aí virada, há restaurantes onde vou e me sinto em casa, como é o caso do Nobre, no Campo Pequeno, em Lisboa, da Justa e do Zé. Não há quem não conheça a Justa Nobre, uma chef incontornável da cozinha portuguesa, expoente máximo dos sabores tradicionais, especialmente os de Trás-os-Montes, região onde nasceu e que sempre gosta de relembrar através dos seus pratos. Já o Zé, marido da Justa, é o perfeito senhor da sala, sempre discreto, educado e atento aos pormenores para que nada falhe aos seus clientes. Mais do que um conhecimento profissional, são bons amigos de longos anos. Pessoas que recebem sempre com carinho os seus clientes, ao ponto de nos fazer sentir em casa, oferecendo a quem os visita o melhor que a cozinha tradicional pode dar.

6. Exposição
Hergé
Galeria Principal da Gulbenkian, Lisboa
Sexta, 24 de dezembro


Como sou fã da obra de Hergé aconselho vivamente a quem tenha a mesma "pancada" ir visitar a exposição sobre este autor que está patente na Gulbenkian, em Lisboa. Para quem não sabe, esta é a primeira mostra em Portugal dedicada a Hergé (de seu verdadeiro nome Georges Remi), criador de Tintin, mas também artista de múltiplos talentos e uma das maiores referências artísticas do século XX. Saímos dali de alma cheia, ao visualizar as diversas facetas do autor, da ilustração à banda desenhada, passando pela publicidade, imprensa ou desenho de moda e artes plásticas através de uma importante seleção de documentos, desenhos originais e outras obras do artista. Mas, na verdade, é a banda desenhada do Tintin que sobressai neste conjunto, as suas personagens e aventuras mirabolantes. E a extraordinária capacidade de representar a realidade de uma forma inventiva e familiar, fazendo os leitores projetar-se no seu universo. Organizada em colaboração com o Museu Hergé de Louvain-la-Neuve, é uma exposição absolutamente imperdível (patente até dia 10 de janeiro de 2022). Por ser 24 de dezembro aconselha-se a confirmação do horário da exposição neste dia).

7. Natal
Casa, família e amigos
Sábado, 25 de Dezembro

O que fazer no dia 25 de dezembro? Nada muito original, mas o melhor que se pode fazer neste dia: passar o tempo com quem nos ama ou telefonar àqueles que estão longe para meter a conversa em dia. Como ando sempre em constantes viagens de trabalho que tantas vezes me afastam de programas com a família ou amigos, para compensar a vida louca em que ando, o que mais gosto nesta época é mesmo de estar sossegada, quentinha, enterrada num sofá a descansar, a ler, a ver filmes e a conversar com a família e amigos à roda de mesas bem abastecidas e regadas a bom vinho.

Escolhas e sugestões por Maria João de Almeida, crítica de vinhos, jornalista e autora.

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