7 dias, 7 propostas por Joana Astolfi

1. Livros
Small Pleasures
Editado pela School of Life (Reino Unido)
Domingo, 16 de maio

Gosto de passar parte dos meus domingos no sofá a ler. Compro muitos livros de uma editora de Londres, que é também uma escola, chamada School of Life. E agora ando a ler o Small Pleasures. É um livro com 50 capítulos, cada um sobre um pequeno prazer da vida. É um livro com um lado gráfico muito forte, com um bom papel, agradável ao toque, e eu ligo bastante a isso. E também porque abraço os pequenos prazeres da vida. A minha agenda é muito preenchida e sempre que posso "fujo" para um pequeno prazer, seja uma massagem ou um copo ao final da tarde com um amigo.
Este livro aconselha vários pequenos prazeres como por exemplo: ver fotografias antigas - que é uma coisa que adoro fazer; ver desenhos feitos por crianças, ou um capítulo sobre olhar para as nuvens e imaginar coisas - faço muito isso com a minha filha -; há ainda um outro sobre comer pão com manteiga e ainda um sobre beijar, que é tão bom. Why We Always Choose to Married the Wrong Person, é outro dos livros da coleção deles, que já li e também é optimo. Aliás, gosto de ir lendo vários livros ao mesmo tempo. Os meus domingos são muito isso: ler algumas coisas ao mesmo tempo que oiço discos em vinil da Ella Fritzgerald, Louis Armstrong ou de bossa nova.

2. Filme
The Royal Tenenbaums (2001)
de Wes Anderson
Segunda, 17 de maio

O Wes Anderson é um dos realizadores que adoro. E há um filme dele que quem não viu tem de ver: The Royal Tenenbaums, de 2001. Inspiro-me muito no trabalho do Wes Anderson e inspira-me muito quando estou a criar as minhas montras. Ele trabalha muito com maquetas para sentir o ambiente e depois disso é que leva as ideias para o plateau. E as suas narrativas são muito físicas e plásticas. Ele vai até ao ínfimo pormenor nos seus filmes. E este filme é muito interessante, está tudo estudado, do cenário às cores das roupas, tudo. E é um filme muito, muito giro.

3. Feira da Ladra
Mercado de Santa Clara
terça, 18 de maio

Adoro mercados e a terça é dia de Feira da Ladra. É sempre um local onde se encontram personagens fantásticas e objetos fora da caixa, com patine, com passado. Já lá comprei muita coisa e alguns objetos incríveis. Claro, é preciso saber escolher, porque há muita porcaria mas no meio, e tendo olho, há umas pérolas. Já comprei um acordeão lindo, uma mão de madeira maciça para colocar joias, um pião gigante, um jogo de xadrez de madeira. E também malas de madeira, daquelas antigas, para além de muitas peças de cerâmica que já não se encontram em muitos lugares. Saio sempre de lá carregada de coisas. Muitas levo-as para a minha oficina e depois ressuscito-as, que é uma coisa que gosto de fazer. Também podia recomendar outro local que adoro: o Cantinho do Vintage, em Marvila.

4. Comer
Farès
Palma Cantina
IZCALL!

Quarta, 19 de maio

Dos anos que vivi em Itália, em Veneza, fiquei com o hábito de ir beber um copo ao final da tarde, um aperitivo. Gosto de sair do meu estúdio, que agora é no Príncipe Real, entre as 18 e 19 horas, e ir beber um aperitivo, é a minha hora. Já passei por vários locais, mas agora aconselho o Farès, um restaurante libanês na Rua de São Paulo. Depois há outro local que é o Palma Cantina, onde se come empanadas e se bebe margaritas fantásticas, no Largo do Intendente. Estes dois restaurantes são dos mesmos donos, um casal de belgas. E são os próprios que desenham o interior dos espaços. Outra sugestão para quarta-feira é um restaurante Izcall!. É um espaço muito pequeno, atenção que é necessário reservar com antecipação. É em Alcântara e tem apenas dez metros quadrados e um balcão para sete pessoas. E o chef Ivo Tavares cozinha comida peruana/mexicana. Todos os dias os pratos são diferentes e os clientes nunca sabem o que vão comer. É uma autêntica viagem de sabores.

5. Museu
Porto Fashion & Textile Museum
Museus WOW, em GAIA
Quinta, 20 de maio

Neste dia inaugura um projeto muito especial para mim, e no qual estive a trabalhar durante dois anos: o novo museu Fashion & Textile Museum, em Gaia. Um novo espaço com dois mil metros quadrados que conta a indústria do têxtil e do calçado em Portugal. O museu tem dois pisos, um conta a história dos materiais e das matérias-primas, tem um grande arquivo fotográfico. Tem ainda a parte dos oficinas e da confeção e tinturaria. No piso de cima é uma homenagem aos grandes designers da moda portuguesa. Ainda há um espaço grande com vários acessórios de anos de passagens de modelos. Há ainda uma sala que homenageia a filigrana e outra que é dedicada ao calçado, com uma sala com uma linha de montagem do sapato, com os moldes de madeira. Faz parte do WoW - World of Wine que é um conjunto de seis museus dedicados a vários temas, desde o vinho do Porto à cortiça e ao chocolate. Nós no ateliê fizemos todo o design expositivo, e fizemos a curadoria dos conteúdos e do posicionamento para além da iluminação. Acho que é muito interessante e toda a gente devia ver. Está muito especial.

6. Concerto
Com a participação de Paulo de Carvalho
Teatro Municipal Joaquim Benite,
Almada - 20h30
Sexta, 21 de maio

Para sexta aconselho irem ver o concerto dos Cais do Sodré Funk Connection, no Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, com a participação do Paulo de Carvalho. Acompanho o trabalho deles há muito tempo, em especial do Fernando Nobre que é um animal de palco. Eles são geniais, é uma big band, com dez músicos em palco. É uma homenagem ao soul, ao groove e ao funk. O Paulo de Carvalho gravou algumas músicas com eles e agora estão a fazer um tour em conjunto. Já vi o primeiro concerto deles no Teatro Maria Matos, há três semanas, e foi genial. Não devem perder!

7. Esplanar
Irmão, Bar de Praia do Castelo
Costa da Caparica
Sábado, 22 de maio

Adoro estar perto do mar, sou de Cascais e praticamente cresci no Guincho. Mas como vivo em Lisboa há 15 anos, depois de ter regressado de Itália, comecei a frequentar as praias da Costa da Caparica. E há um sítio fantástico na praia do Castelo, o bar chama-se Irmão, e abriu no ano passado. Passei lá o verão. O espaço foi criado por três irmãos franceses e, como se sabe, os franceses têm imenso jeito para a restauração. Montaram vários tipos de ambientes onde se tem um pouco do mundo na praia: um pouco de Ibiza, de Tailândia e Marrocos. A comida é ótima, não há muita diversidade, mas é tudo muito bom. E a música é excelente. Quando o tempo está bom passo lá os sábados, desde que chego até ao pôr do sol.

Escolhas pela arquiteta e artista Joana Astolfi

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