A Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia teve a sua reunião de quinta-feira interrompida após todos os eleitos da maioria socialista terem saído em protesto contra um voto de recomendação, apresentado pelo único deputado municipal da Iniciativa Liberal, Gonçalo Pinto, que pedia ao executivo camarário a realização de uma auditoria independente aos recursos municipais e aos procedimentos e controlos internos conexos à sua utilização e, assim, estabelecer as bases para a manutenção da credibilidade institucional do município”..O facto de o voto ser justificado pelas detenções no âmbito da Operação Babel, que levou à detenção do ex-vice-presidente da Câmara de Vila Nova de Gaia, Patrocínio Azevedo, mas também pela condenação em primeira instância do presidente da autarquia, Eduardo Vítor Rodrigues, pelo crime de peculato de uso, devido à cedência de um automóvel de uma empresa municipal à sua mulher, acabaria por levar a uma reação da bancada socialista que criou um impasse só resolvido com a interrupção da sessão ordinária, que será retomada na próxima quinta-feira, às 21h00,.O voto de recomendação, que era o primeiro da ordem de trabalhos, e foi descrito ao DN por Gonçalo Pinto como um “voto proveitoso”, na medida em que visa restaurar a confiança dos munícipes, que considera abalada pelos processos judiciais que envolvem autarcas do concelho, teve resposta do líder do grupo municipal do PS, João Paulo Silva, o qual terá referido que “alguns partidos fazem lutas na lama e outros fazem upgrade e vão para o esgoto”..Nessa altura, o presidente da Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia, Albino Almeida, disse que não havia condições para Gonçalo Pinto apresentar o seu texto enquanto voto de recomendação, passando a palavra a um dos deputados municipais do Bloco de Esquerda, que tinha agendado um voto de louvor pelos 75 anos da Organização das Nações Unidas. .Contactado pelo DN, Albino Almeida confirmou que na condução dos trabalhos não aceitou uma “recomendação absolutamente inaceitável”, preferindo levar o tema para a reunião de líderes dos partidos representados na Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia, que decorrerá na terça-feira. A solução que defende é a transformação do voto numa intervenção política do deputado Gonçalo Pinto, pois “cada qual pode fazer uma intervenção política como entender”..No entanto, Albino Almeida acredita que o texto do deputado municipal liberal “interfere numa matéria de Direito”, na medida em que a condenação de Eduardo Vítor Rodrigues por peculato de uso foi em primeira instância e haverá recurso. “Não devemos antecipar-nos à justiça”, defende, descrevendo a iniciativa de Gonçalo Pinto como “uma questão política que não honra a Assembleia Municipal nem honra ninguém”..Na sessão ordinária desta quinta-feira, que foi a primeira desse tipo que a Assembleia Municipal de Vila Nova de Gaia realizou em 2024, a passagem da palavra para o Bloco de Esquerda levou o deputado municipal social-democrata Paulo Martins a fazer um pedido de interpelação política. Quando o pedido foi recusado pela mesa, o mesmo pediu uma pausa nos trabalhos e os eleitos do PSD, CDS, Iniciativa Liberal e Chega saíram da sala de reuniões. .“Nunca se viu tal coisa em alguma assembleia municipal. Isto é silenciar e colocar em causa a democracia”, considera Gonçalo Pinto, que depois da interrupção voltou a subir ao púlpito. Nessa altura, todos os 19 deputados municipais do PS, acompanhados pelos 15 presidentes de junta de freguesia do concelho, todos socialistas, levantaram-se e saíram da sala. O mesmo fez o executivo camarário, liderado pelo próprio Eduardo Vítor Rodrigues, e ainda os deputados municipais do Bloco de Esquerda e da CDU, sendo que estes últimos tentado demover os eleitos socialistas de interromperem a sessão. Ficaram apenas os seis eleitos do PSD, os dois do CDS, e os deputados únicos da Iniciativa Liberal, do Chega e do PAN.