Uber vai passar a 'entregar' também trabalhadores temporários

Uber Works é a nova aplicação que vai conectar empresas e pessoas à procura de trabalhos por turnos

Depois dos serviços de transporte e de entrega de comida, a Uber vai passar a ter também um serviço de "entrega" de trabalhadores temporários a empresas com necessidade de recrutamento.

Para isso, a empresa revelou ter lançado um aplicativo chamado Uber Works, que vai permitir conectar trabalhadores temporários que procuram trabalhos em turnos com empresas que tentam preencher essas lacunas.

O aplicativo, disponibilizado apenas em Chicago por enquanto, mostrará aos trabalhadores os turnos disponíveis numa determinada área e ajudará as empresas que têm dificuldade em recrutar pessoal durante os picos de procura ou que enfrentam faltas de trabalhadores aos respetivos turnos, bem como a lidar de forma mais eficaz com a alta rotatividade do mercado em alguns segmentos, anunciou a Uber.

"O Uber Works tem uma plataforma de empresas e conecta diretamente com empresas, incluindo restaurantes e outros, para ajudá-las a preencher turnos vazios", disse um porta-voz da empresa à Reuters.

Os utilizadores da aplicação podem obter informações detalhadas sobre turnos nos quais estão interessados, incluindo informações sobre salário bruto, local de trabalho e habilitações ou vestuário necessário, anunciou a Uber, acrescentando que o aplicativo permitirá o rastreamento de tempo, com os utilizadores a poderem registar horas de entrada e de saída, além de intervalos.

As perdas em Bolsa e a pressão dos reguladores

A mudança para diversificar ramos de negócio ocorre num momento em que as principais operações da Uber enfrentam concorrência na Ásia, enquanto a empresa dos EUA também enfrenta um escrutínio regulatório para classificar os seus motoristas como contratados independentes.

No mês passado, um motorista da Uber processou a empresa depois de o estado da Califórnia ter aprovado legislação que obriga empresas como a Uber e a Lyft a reconhecer os seus condutores como funcionários. Uma lei que deve entrar em vigor a 1 de janeiro de 2020.

Além disso, a Uber regista uma pressão bolsista, com perdas recorde de 5,2 mil milhões de dólares (cerca de 4,6 mil milhões de euros) no segundo trimestre, com os resultados a mostrarem um crescimento lento da receita, o que levantou questões sobre a sua capacidade para expandir o negócio e afastar a concorrência.

A Uber Works afirmou nesta quarta-feira que fará parceria com agências de pessoal como a TrueBlue, que emprega, paga e administra os benefícios dos trabalhadores, além de se conectar diretamente às empresas.

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