Toneladas e toneladas de plástico vão parar aos oceanos. Mas onde está ele, que ninguém o vê?

Mais de 80% do lixo marinho é feito de plástico mas, paradoxalmente, os materiais plásticos que os cientistas conseguem contabilizar nos oceanos são apenas 1% de todo o que vai lá parar. Afinal, onde para o plástico?

Esta é uma das mais intrigantes perguntas da última década, que só agora começa a ter uma resposta mais clara, e que, pelo menos em parte, tem a ver com a lenta degradação dos materiais, que com o tempo se vão transformando em pedaços cada vez mais pequenos, até se tornarem microplásticos, que são virtualmente indetetáveis.

Os números são conhecidos: mais de 80% do lixo que vai parar ao mar é composto de materiais plásticos. Há de tudo: sacos e garrafas, cordas de nylon, cotonetes e palhinhas, e até cadeiras, utensílios e peças mais diversas. Contas feitas pelos cientistas mostraram pela primeira vez em 2015 que, anualmente, cerca de oito milhões de toneladas de materiais plásticos acabam no mar, onde têm estado a acumular-se há décadas.

Uma parte desse lixo acaba por se juntar nas zonas de convergência das correntes oceânicas, os chamados vórtex, mas foi preciso que um navegador solitário se deparasse pela primeira vez com um deles no Pacífico, em 1997, para que se percebesse que estava ali um problema.

Desde então foram identificadas ilhas gigantescas feitas de lixo do tamanho de países em todos os oceanos, do Atlântico ao Índico e até ao Mediterrâneo. No entanto, feitos todos os cálculos, aquele não pode ser todo o lixo que até hoje já foi despejado nos oceanos. Pelas contas dos cientistas, o que se consegue identificar não será mais do que 1% do que se sabe lá estar. Então onde foi parar todo esse plástico?

A resposta, que chega pela mão de cientistas que têm feito estudos mais em profundidade, em certas zonas marinhas, como a Baia de Monterey, ao largo da Califórnia, nos Estados Unidos, aponta para uma realidade preocupante. A de que estes materiais, que se degradam lentamente, vão-se transformando em pedaços cada vez mais pequenos, até atingirem dimensões minúsculas e praticamente indetetáveis, sob a forma de microplásticos, como noticia o Guardian.

É para aí que aponta, nomeadamente, o trabalho da investigadora holandesa Helge Niemann, do Real Instituto de Investigação Marinha da Holanda, que tem feito análises a maior profundidade na coluna de água, até aos 200 metros, e nos sedimentos marinhos, e que encontrou forte contaminação por microplásticos em todos os locais observados,

De resto, estudos que mostram que os mamíferos marinhos estão contaminados com microplásticos e, mais ainda, eles já entraram na cadeia alimentar humana. Quais os riscos disso? Eis uma nova pergunta ainda sem resposta. Os estudos para os determinar com clareza só agora estão a começar.

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