Terá chegado ao fim a época de ouro dos buffets?

Para além da falta de clientes, autoridades de saúde alertam para os riscos associados aos buffets. Restaurantes de self-service estão a reformular-se ou a fechar as portas.

Dos pequenos-almoços dos hotéis mais em conta até aos banquetes faustosos dos casinos, os buffets travam neste momento uma luta pela sua sobrevivência face às novas medidas de saúde pública e ao facto, também, de muitos consumidores evitarem os restaurantes de self-service.

Nos EUA, os buffets faturaram cerca de 5 mil milhões em 2019, de acordo com o The NPD Group, uma empresa de pesquisa de mercado, responsável por apenas cerca de 1% do negócio total de restaurantes. Mas a verdade é que muitos dos clientes fiéis dos buffets são idosos e, portanto, mais vulneráveis ao vírus.

De acordo com o The NPD Group, os restaurantes com buffet lucraram cerca de 106 milhões em maio de 2020, o que representa cerca de um terço do total do mesmo mês em 2019. Nesse mês, os donos da Souplantation e Sweet Tomatoes - especializados em alimentos saudáveis - anunciaram que iriam declarar falência e fechar permanentemente 97 restaurantes, deixando 4 400 funcionários desempregados.

Susan Yin, proprietária do restaurante Jack's Fresh, no centro de Washington, EUA, disse à BBC News que as suas vendas caíram quase 90% depois da reabertura há dois meses, após outros dois meses de encerramento devido à covid-19. Especializado em comida asiática e sanduíches americanos, o Jack's Fresh fatura neste momento cerca de 500 dólares por dia, muito abaixo da média de 3 500 dólares diários antes da pandemia, afirma a proprietária. "Ninguém trabalha nesta zona", queixa-se Yin, referindo-se aos funcionários que trabalham principalmente em casa desde março.

Em março, a entidade federal de Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA), que regula a segurança alimentar, recomendou "cancelar os buffets de self-service" até ao fim da da pandemia. As autoridades alertaram para os riscos associados aos utensílios partilhados que são tocados por vários clientes e que podem ser contagiosos, assim como às multidões que podem se formar em torno de alguns dos produtos. As diretrizes da FDA sublinham no entanto que não se pensa que o covid-19 seja transmitida pelos próprios alimentos, mas sim através de gotículas respiratórias de pessoas em contacto próximo.

De acordo com o Wall Street Journal, além das diretrizes federais, 38 estados também emitiram regras que restringem o serviço do buffet,

Por causa desses riscos, foi preciso fazer várias alterações no serviço: a maioria dos buffets optou por proibir os clientes de servirem a si mesmos.

No Jack's Fresh, onde os clientes pagam o peso da comida antes de comer, os cozinheiros colocam as porções em caixas de papel para os clientes. Este método, adotado por outros restaurantes de buffet, foi definidocomo "estilo de cafeteria" e não é um verdadeiro buffet, queixam-se alguns clientes. Yin diz que, apesar das novas precauções, a maioria dos clientes - que são obrigados a usar máscaras - tem evitado o buffet e preferem comprar sanduíches feitas sob encomenda ou fazer o pedido online.

Por esse motivo, a maioria das redes de hotéis interrompeu completamente o buffet do pequeno-almoço, colocando funcionários a servir os clientes ou oferecendo alimentos embalados em estações de buffet, ou ainda dando preferência ao serviço no quarto. Os grandes hotéis e casinos de Las Vegas - onde o buffet americano moderno começou há quase 80 anos - estão a reformular completamente o serviço e alguns optaram mesmo por encerrar os buffets e servir as refeições como restaurantes à carta - o que tem, obviamente, implicações no preço das refeições uma vez que são necessários mais funcionários.

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