Tamanho do cérebro conta pouco para a inteligência

Um cérebro maior poderá não ter um desempenho cognitivo muito melhor do que um cérebro mais pequeno. Um novo estudo diz que haverá outros fatores com um peso maior na inteligência.

O tamanho do cérebro conta para a inteligência, mas apenas 2%. De acordo com um novo estudo, existe, efetivamente, uma relação positiva entre o tamanho do cérebro e o desempenho cognitivo, mas existem outros fatores que influenciam a inteligência e que explicam a grande maioria das diferenças entre indivíduos.

O investigador Gideon Nave, da Universidade da Pensilvânia, e Philipp Koellinger, da Universidade Livre de Amesterdão, tentaram responder a uma questão que tem vindo a ser estudada há mais de dois séculos: será que as pessoas que têm cérebros maiores são mais inteligentes?

Recorrendo a ressonâncias magnéticas, a testes de desempenho cognitivo e resultados escolares de mais de 13 600 pessoas, os investigadores descobriram que existe uma relação positiva entre o tamanho do cérebro e a performance. Tal como outros estudos já o sugeriam, diz o Science Daily.

Existem, no entanto, algumas advertências importantes. "Em média, uma pessoa com um cérebro maior tem tendência para ter um desempenho melhor em testes de cognição do que um cérebro menor. Mas o tamanho é apenas uma pequena parte do quadro, explicando cerca de 2% da variabilidade do desempenho dos testes".

No nível educacional, o efeito também se mostrou muito reduzido: um "copo" adicional de 100 centímetros quadrados de cérebro aumentava a escolaridade das pessoas, em média, menos de cinco meses.

Philipp Koellinger destaca que, além da questão do tamanho, que conta apenas 2% para a inteligência, existirão vários fatores que explicam os outros 98% na variação de desempenho.

Com a colaboração de três investigadores, Gideon e Philipp incluíram também outras variáveis no estudo, como sexo, idade, altura, estatuto socioeconómico. A altura, por exemplo, está associada a melhores resultados nos testes, mas também a um cérebro maior.

A correlação estudada pelos investigadores já tem vindo a ser investigada há algum tempo, mas com amostras mais pequenas. Ao incluir mais participantes, ambos esperavam ir além dos estudos já feitos. Desta forma, recorreram aos dados do Biobank, um banco de dados que contem informações de mais de meio milhão de pessoas do Reino Unido.

As conclusões acabam por ir ao encontro do senso comum: se a pessoa tem mais neurónios, isso permite-lhe ter uma memória melhor, ou realizar mais tarefas em simultâneo.

Existem, no entanto, muitos outros fatores associados, pelo que os investigadores reconhecem que são necessários mais estudos. Relativamente ao sexo, por exemplo, parece existir uma diferença significativa no tamanho do cérebro entre homens e mulheres, mas isso não se traduz em diferenças no desempenho.

Atendendo à fraca correlação entre o volume cerebral e a inteligência, Nave brincou dizendo que não interessa medir o tamanho das cabeças dos candidatos durante os processos de recrutamento. Fatores como o estilo parental, a educação e a nutrição podem ter um contributo importante, mas não foram testados.

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