Saúde Pública. Fitbit vai oferecer rastreadores a toda a população de Singapura

A iniciativa Live Healthy SG surge como resposta à crescente onda de doenças crónicas que tem vindo a manifestar-se em Singapura, como hipertensão, diabetes e cancro

Esta semana, a empresa norte-americana Fitbit anunciou uma parceria com o Conselho de Promoção de Saúde de Singapura numa iniciativa de saúde pública, a Live Healthy SG, que fornecerá aos 5,6 milhões de habitantes do país rastreadores de condição física.

A Live Healthy SG surgiu como resposta à crescente onda de doenças crónicas que tem vindo a manifestar-se em Singapura, como hipertensão, diabetes e cancro - condições que afetam cada vez mais pessoas em todo o mundo -, e o seu objetivo é evidente: manter os cidadãos em boa forma e promover melhores hábitos de saúde, bem como alterações de comportamentos.

Esta é a primeira grande integração da Fitbit, uma plataforma de saúde digital e wearables (dispositivos tecnológicos que se usam como acessórios), num programa nacional de saúde pública.

A Fitbit explicou que quando os participantes se decidirem inscrever no programa, haverá um "processo de consentimento claro e contínuo" de partilha de dados. Esses dados fornecerão insights que contribuirão para futuros programas de promoção de saúde e "os participantes deste programa beneficiarão dos planos da Fitbit de incorporação de inteligência artificial e aprendizagem do dispositivo para incentivar a atividade física, uma alimentação saudável e uma melhor qualidade de sono", explicou Zee Yoong Kang, CEO do Conselho de Promoção de Saúde de Singapura, à Forbes.

"A Lei de Proteção de Dados Pessoais de Singapura carrega o mesmo peso de proteção que as Regras de Proteção de Dados da União Europeia e requer o consentimento do indivíduo para recolher, usar ou divulgar os seus dados pessoais. No entanto, dados agregados podem ser usados de forma anónima e, neste caso, podendo contribuir para a melhoria de futuros programas de saúde, é bastante provável que sejam efetivamente usados.", explicou Julian Andriesz, fundador do Verita Healthcare Group, uma empresa de análise de dados baseada em Singapura.

"Vemos este projeto como um grande passo para encorajar e orientar mudanças comportamentais saudáveis nas pessoas que usam wearables, combinando conhecimento médico humano e inteligência artificial para garantir que problemas e riscos de saúde sejam identificados e abordados o mais cedo possível.", acrescentou Andriesz.

O dispositivo da Fitbit é fornecido a título gratuito àqueles que adiram ao programa e paguem 10 dólares (9,03 euros) por mês pelo serviço Fitbit Premium - que inclui orientação, incentivos e treinos individuais. A longo prazo, a iniciativa acaba por ter um efeito imensamente positivo na vida das pessoas (e até na economia), prevendo-se uma descida dos custos de saúde através da prevenção.

Os singapurenses poderão fazer um pré-registo no Live Healthy SG em setembro, com o programa a ser lançado oficialmente no final de outubro.

No advento do lançamento, há quem duvide dos resultados da iniciativa, como Brian Jones, o diretor executivo da Partnership of East London Corporatives, uma organização sem fins lucrativos que fornece serviços de atendimento de urgência a mais de 2 milhões de pessoas no Reino Unido.

"Esta é uma abordagem arriscada. Sem uma revisão inicial detalhada das condições, o dispositivo pode não determinar o regime de condicionamento mais adequado para alguém que tenha várias doenças, aumentando o risco para essa pessoa. Embora seja importante que as pessoas se ocupem da sua saúde, e os lembretes são um passo na direção certa, qualquer ação tomada deve ser baseada em circunstâncias individuais e não genéricas.", explicou Jones.

Sem ser possível antever os resultados da iniciativa, a Live Healthy SG espera contribuir efetivamente para uma ampla aprendizagem sobre os hábitos das pessoas no que concerne à saúde.

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