Reino Unido ameaça punir redes sociais que não travem conteúdos suicidas

Aviso foi deixado pelo secretário de Estado da Saúde britânico

As redes sociais têm de apertar a malha aos conteúdos que instigam à depressão e ao suicídio, caso contrário o parlamento britânico poderá avançar com leis que sancionem os incumpridores. O que pode passar por multas ou mesmo por banir as redes em causa. O aviso foi deixado pelo secretário de Estado para a Saúde britânico, Matt Hancock,

O alerta surge poucos dias depois de o pai de Molly Russell, uma jovem de 14 anos que se suicidou em 2017, ter afirmado publicamente que as redes sociais contribuíram para a morte da filha. A família da jovem descobriu, posteriormente, que esta consultava nas redes sociais conteúdos sobre ansiedade, depressão, automutilação e suicídio. De acordo com o Sunday Times, mais de 30 famílias vieram entretanto acusar as redes sociais de terem contribuído para o suicídio dos seus filhos.

Hancock escreveu aos responsáveis do Facebook, Instagram, Twitter, Snapchat, Pinterest, Google e Apple a alertar que devem retirar todos os conteúdos que promovam o suicídio ou a auto-mutilação.

"O suicídio é agora a principal causa de morte dos jovens abaixo dos 20 anos e os números de automutilação estão a aumentar, em particular entre raparigas adolescentes", sublinhou Matt Hancock. "Se achamos que [as empresas que detém as redes sociais] precisam de fazer coisas que se recusam a fazer, então nós podemos - e devemos - legislar", acrescentou o responsável britânico, que falava no The Andrew Marr Show, da BBC One. Questionado sobre se isso pode significar a imposição de taxas mais pesadas ou mesmo banir essas redes sociais, Hancock respondeu: "Em última instância, o Parlamento tem essa sanção, sim".

Pai de três filhos, Hancock confessou o seu horror como pai face ao que aconteceu a Molly: "Era apenas dois anos mais velha do que a minha filha e sinto-me desesperadamente preocupado em assegurar que os jovens são protegidos. A dor que os pais de Molly sentem é algo que nenhum pai devia experimentar. Cada suicídio é uma morte que podia ser prevenida". Para o também deputado britânico "é chocante a facilidade com que se consegue aceder a conteúdos destes. Não tenho dúvidas sobre o mal que isto provoca, especialmente aos mais jovens. É tempo de a internet e de as empresas se chegarem à frente e eliminarem estes conteúdos de uma vez por todas".

Segundo o jornal Daily Mail, o Pinterest enviou um mail personalizado a Molly, um mês após a sua morte, com imagens explícitas de cortes no corpo e que dizia "nem imaginas a quantidade de vezes que desejei estar morta".

Ian Russel, o pai de Molly chama a atenção que, da mesma forma que se alguém clicar num post sobre um desporto passará a receber mais informação sobre esse desporto, o mesmo acontece com tópicos como automutilação ou suicídio: "Através dos seus algoritmos estas empresas expõem os jovens a mais e mais conteúdo prejudicial, por terem clicado num post".

Russel explica que a filha não deu sinais de problemas de saúde mental: "Era uma adolescente normal. Fez os trabalhos de casa naquela noite, preparou a mala. Quando nos levantámos na manhã seguinte, ela estava morta". Os pais descobriram depois que consultava conteúdos online relacionados com depressão e suicídio, que Ian Russel classifica como "chocantes". "Não tenho nenhuma dúvida de que o Instagram ajudou a matar a minha filha", dise ao Daily Mail.

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