Rapaz de 12 anos torna-se celebridade com palestras motivacionais no Paquistão

Um rapaz de 12 anos tornou-se uma celebridade no Paquistão com as suas palestras motivacionais, que têm como principal foco a educação, e já tem milhões de visualizações na rede social YouTube.

Hammad Safi veste-se elegantemente e é um bom orador, mas o seu maior trunfo é a sua idade, escreve esta quinta-feira a agência Efe.

"Quando as pessoas me veem dando palestras ficam inspiradas apenas por me ver, por ser tão jovem como sou", declarou Hammad Safi, o mais novo de seis irmãos e filho de um empresário.

O adolescente tem quase 600.000 inscritos no canal do YouTube, onde alguns dos seus vídeos, em urdu, foram vistos milhões de vezes. Na rede social Facebook tem mais de dois milhões de seguidores.

O adolescente começou a dar palestras motivacionais aos 8 anos, depois de se matricular num centro educativo especializado em idiomas e tecnologia, que possui ainda ênfase em oratória. "Os meus professores motivaram-me e inspiraram-me a trabalhar pelo Paquistão", disse Hammad Safi, que dá palestras em colégios e universidades em todo o país.

As suas palestras concentram-se principalmente na educação, num país em que 40% dos 207 milhões de habitantes não sabem ler e escrever e 20 milhões de crianças não frequentam a escola. "Acho que o maior problema (no Paquistão) é a educação. Quero inspirar os jovens a estudar, a ter acesso ao conhecimento, à sabedoria", sublinhou o adolescente, que recebeu a alcunha de "pequeno professor".

Hammad Safi acredita que há muito "talento" em seu país, mas que os jovens paquistaneses "não conhecem o seu potencial". Para alcançar esse potencial, o "pequeno professor" aconselha os jovens a lerem biografias de grandes líderes e usarem a Internet e o YouTube para procurarem os ensinamentos de universidades de todo o mundo.

Numa palestra motivacional na sua residência em Islamabad, Hammad Safi exortou as 30 pessoas que o ouviam a terem um comportamento "positivo", rejeitarem o "medo" e não se assustarem com os desafios. "Seja qual for o objetivo de longo prazo da sua vida, divida-o em metas de curto prazo", aconselhou. O seu público, entre 11 e 23 anos, seguia as suas palavras com atenção.

Safi explicou aos seus alunos que se levanta todos os dias às cinco da manhã, faz exercícios, reza e depois começa a estudar. O seu dia é regido por um horário de 18 horas, que inclui entre 10 e 12 de estudo. Atualmente, Hammad Safi estuda turco, árabe, farsi, chinês e inglês. "Quando tenho tempo livre, jogo críquete, futebol ou videojogos", declarou ainda.

A fama do "pequeno professor" já cruzou as fronteiras paquistanesas, com visitas a Dubai e Arábia Saudita. Em agosto, planeia realizar eventos na Turquia, onde se encontrará com o Presidente do país, Recep Tayyip Erdogan.

As suas ambições também cresceram. "Eu quero ser um líder do Paquistão e um líder do mundo", afirmou Hammad Safi.

Exclusivos

Premium

Catarina Carvalho

Clima: mais um governo para pôr a cabeça na areia

Poderá o mundo comportar Trump nos EUA, Bolsonaro no Brasil, Erdogan na Turquia e Boris no Reino Unido? Sendo esta a semana do facto consumado do Brexit e coincidindo com a conferência do clima da ONU, vale a pena perguntarmos isto mesmo. E nem só por razões socioideológicas e políticas. Ou sobretudo não por estas razões. Por razões simples de simples sobrevivência do nosso planeta a que chamamos terra - porque é isso que é fundamentalmente: a nossa terra. Todos estes líderes são mais ou menos populistas, todos basearam as suas campanhas e posteriores eleições numa visão do mundo completamente conservadora - e, até, retrógrada - do ponto de vista ambiental. E embora isso seja facilmente explicável pelas razões que os levaram à popularidade, é uma das facetas mais perigosas da sua chegada ao poder. Vem tudo no mesmo sentido: a proteção de quem se sente frágil, num mundo irreconhecível, em acelerada e complexa mudança, tempos de um paradigma digital que liberta tarefas braçais, em que as mulheres têm os mesmos direitos que os homens, em que os jovens podem saber mais do que os mais velhos... e em que nem na meteorologia podemos confiar.

Premium

Pedro Lains

Boris Johnson e a pergunta do momento

Afinal, ao contrário do que esperava, a estratégia do Brexit compensou, isto é, os resultados das eleições desta semana deram uma confortável maioria parlamentar ao homem que prometeu a saída do Reino Unido da União Europeia. A dimensão da vitória põe de lado explicações baseadas na manipulação das redes sociais, da imprensa ou do eleitorado. E também põe de lado explicações que colocam o desfecho como a vitória de uma parte do país contra outras, como se constata da observação do mapa dos resultados eleitorais. Também não se pode usar o argumento de que a vitória dependeu de um melhor uso das redes sociais, pois esse uso estava ao alcance de todos e se o Partido Trabalhista não o fez só ele pode ser responsabilizado. O Partido Conservador foi mais profícuo em mentiras declaradas, mas o Partido Trabalhista prometeu coisas a mais, o que é diferente eticamente, mas não do ponto de vista da política eleitoral. A exceção, importante, mas sempre exceção, dada a dimensão relativa da região, foi a Escócia, onde Boris Johnson não entrou. Mas a verdade é que o Partido Conservador conseguiu importantes vitórias em muitos círculos tradicionalmente trabalhistas. Era nessas áreas que o Manifesto de esquerda tradicional teria mais hipóteses de ganhar, pois são as áreas mais afetadas pela austeridade dos últimos nove anos. Mas tudo saiu ao contrário. Porquê?