Quer fazer um bom negócio? Vá jantar fora e partilhe a refeição

Ir jantar a um restaurante de comida chinesa ou indiana pode ser melhor para negociar do que um espaço de comida francesa. Quem partilha pratos tende a ser mais cooperativo nos processos de negociação.

Há quem defenda que os melhores negócios se constroem em ambientes mais descontraídos, nomeadamente à mesa. Agora, um novo estudo diz que as pessoas colaboram melhor e chegam a acordo mais rapidamente se, além da mesa, partilharem também a refeição.

As conclusões fazem parte de um estudo da Booth School of Business da Universidade de Chicago, cujos resultados foram publicados recentemente.

De acordo com a investigação "Pratos partilhados, mentes partilhadas: Consumir de um parto partilhado promove a cooperação", a comida chinesa ou indiana, que se baseia na partilha de pratos, pode ser melhor para fazer negócios do que a francesa, por exemplo, na qual são, tendencialmente, servidas doses individuais.

Quando existe partilha de refeições, os intervenientes coordenam melhor as suas ações, de forma a garantir que todos recebem uma parte justa, o que ajuda a coordenar também os negócios.

Ayelet Fishbach, professor da Universidade de Chicago, e Kaitlin Woolley, estudante de doutoramento da Universidade Cornell, colocaram os participantes do estudo, que não se conheciam uns aos outros, a fazer um lanche de batatas fritas e molho com os seus parceiros. Metade partilhou a refeição, enquanto os outros receberam lanches individuais.

Posteriormente, um indivíduo era designado gestor, enquanto o outro atuava como representante sindical, com o objetivo de chegarem a um salário que fosse aceite pelo sindicato em 22 rondas de negociação, cada uma a representar um dia de conversações. Para aumentar a pressão, foi marcada uma greve com custos elevados para começar na terceira volta. Como a greve teria encargos altos para ambas as partes, todos queriam chegar a um acordo rapidamente.

Enquanto as equipas que partilharam o lanche demoraram, em média, nove dias de greve (12 rondas) a chegar a um entendimento, as que comeram os lanches individuais demoraram mais quatro dias a conseguir um acordo. Uma diferença que, segundo o estudo, se traduziu em perdas hipotéticas de 1.5 milhões de dólares (cerca de 1.3 milhões de euros).

Ao repetir a experiência com amigos e estranhos, os investigadores concluíram que os amigos chegavam a um acordo de negociação mais rápido do que os que não se conheciam, mas, em ambos os grupos, a partilha das refeições teve um efeito positivo no processo.

Quando existe muita comida para ser partilhada, nomeadamente nos almoços estilo buffet, os autores acreditam que é menos provável que ocorra coordenação, já que os intervenientes estão perante um recurso ilimitado. Podem servir a quantidade que entenderem, sem pensar no outro.

Para Ayelet Fishbach, embora a tecnologia permita que as pessoas realizem reuniões remotamente, é importante que reúnam durante as refeições, e não só em contextos de trabalho.

"Basicamente, cada refeição que está a comer sozinho é uma oportunidade perdida para se conectar com alguém", referiu, citado no comunicado publicado pela universidade. "E cada refeição que envolve a partilha de comida utiliza totalmente a oportunidade de criar esse laço social".

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