Príncipe William em Davos: o estigma das doenças mentais

Em Davos, o duque de Cambridge falou da importância de acabar com o estigma em volta da saúde mental e contou a sua própria experiência, quando se sentiu a "entrar lentamente num caminho depressivo".

No Fórum Económico e Social de Davos, o duque de Cambridge contou como, há três anos, quando estava a lançar uma iniciativa de recolha de fundos para a saúde mental, todas as celebridades que foram contactadas se recusaram a dar o seu apoio. Nenhuma queria ser associada a problemas mentais.

Enquanto trabalhava com instituições sociais, centros de apoio aos veteranos, toxicodependentes ou sem-abrigo, por exemplo, William apercebeu-se que todas lidavam com o problema da saúde mental mas nenhuma o fazia diretamente. "Era o elefante na sala." Então, em 2017, o príncipe criou a iniciativa Heads Together para combater o estigma da doença mental, em colaboração com a duquesa de Cambridge, sua mulher, e o príncipe Harry, seu irmão. Mas quando ainda estava a preparar a iniciativa e procurava apoios ouviu mais "nãos" do que era habitual. Só mais tarde, quando o projeto começou a ser falado, é que se tornou mais fácil.

William contou à audiência a sua própria luta com problemas psicológicos: viveu um acontecimento traumático e "nunca o teria ultrapassado" se não tivesse falado com os amigos sobre a situação: "Teria entrado lentamente num caminho depressivo", admitiu, visivelmente emocionado. Neste momento, ainda é muito difícil para ele falar desse "incidente" que, revelou, está relacionado com os filhos, George, Charlotte e Louis.

O príncipe já tinha falado de algumas experiências com crianças que o tinham transtornado bastante quando tinha trabalhado numa ambulância aérea. Mas esses sentimentos são "apenas humanos" e não podem ser ignorados, concluiu: "Sim, colocamos uma armadura... mas um dia algo acontece, intimamente relacionado com a nossa vida pessoa, e leva-nos realmente até ao limite."

A saúde mental é um dos temas em debate este ano em Davos. Estudos recentes mostram que uma em quatro pessoas sofre de doenças mentais em algum momento da sua vida, mas muitas pessoas ainda têm receio de falar sobre assunto e de pedir ajuda porque temem as consequências, por exemplo no meio laboral.

Apesar de todos os esforços que têm sido feitos, o príncipe lamentou que "tantas pessoas sofram em silêncio": "Por algum motivo, as pessoas têm vergonha das suas emoções - os britânicos em particular", o que poderá ter a ver com as experiências da duas guerras mundiais. As pessoas que sobreviveram à guerra tinham dificuldade em falar dos "acontecimentos horrendos" que tinham vivido. "A geração seguinte herdou esta ideia de que a maneira de lidar com os problemas é não falar sobre eles", explicou. Mas "uma nova geração sabe que isso não é normal" e está a ficar consciente de que é melhor falar sobre os seus sentimentos. Isso pode acontecer, por exemplo, nas empresas. William deixou o apelo: "Deveria ser mais fácil ir aos recursos humanos e pedir ajuda. A iniciativa tem de vir de cima."

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