Papa admite histórico de abusos de padres e bispos a freiras

Líder da Igreja Católica lamentou ainda que as mulheres sejam vistas como sendo de uma classe inferior e mostrou-se disponível para mediar conflito na Venezuela, depois de uma carta de Maduro a pedir a sua intervenção.

O Vaticano realizará uma reunião, daqui a duas semanas, com todos os presidentes das Conferências Episcopais do mundo para abordar a questão do abuso de menores. Mas só isso não basta para fazer esquecer as centenas de casos de abusos que chegam a Roma, incluindo os abusos de freiras por padres e bispos. Esse foi, aliás, o tema de um editorial na revista feminina do L'Osservatore Romano, o jornal da Santa Sé, que Francisco lê todas as manhãs e que comentou na viagem de regresso dos Emirados Árabes Unidos: "Não são todos, mas há padres e bispos que o fizeram e ainda fazem."

O Papa enquadrou o problema num contexto histórico também fora da Igreja: "Os maus-tratos às mulheres são um problema. Eu diria que a humanidade ainda não amadureceu. A mulher é vista como um ser de segunda classe."

A luta contra os abusos e a descriminação é para continuar, mesmo que demore mais tempo do que o desejado."Não posso dizer 'na minha casa isso não acontece'. É verdade. Temos de fazer ainda mais? Sim. Temos vontade? Sim. Mas é um caminho que demora há algum tempo ", explicou o Sumo Pontífice.

Francisco espera que o "caminho", embora lento, seja frutífero e recordou uma medida do seu antecessor. "Bento XVI teve a coragem de fechar uma ordem feminina que tinha um certo nível desta escravização de mulheres, também a escravidão sexual por padres, e às vezes os fundadores, que tiram a liberdade para as mulheres. Foi um homem [Bento XVI] que teve a coragem de fazer muito neste assunto."

Os casos de abusos têm afetado alguns padres, bispos e até funcionários do Vaticano. Na semana passada, um funcionário da Congregação para a Doutrina da Fé renunciou ao cargo depois de uma mulher o ter acusado de a tentar beijar durante uma confissão.

Disponível para mediar conflito na Venezuela

O Papa Francisco afirmou nesta terça-feira que o Vaticano está disponível para tentar resolver a crise política na Venezuela se as duas partes do conflito assim o desejarem. Isto depois de Nicolás Maduro lhe enviar uma carta a pedir mediação na guerra. "Vou ler a carta e ver o que pode ser feito, mas a condição inicial é que ambos os lados peçam por ela [a mediação]. Nós estamos à disposição", disse o líder do Vaticano.

"Enviei uma carta ao Papa Francisco. Disse-lhe que estou a serviço da causa de Cristo (...) e, nesse espírito, pedi a sua ajuda no processo de facilitação e de reforço do diálogo". E acrescentou: "Pedi ao Papa para fazer os seus maiores esforços, para nos ajudar no caminho do diálogo. Espero receber uma resposta positiva", revelou Maduro numa entrevista ao canal de televisão italiano SkyTG24.

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