90-90-90. Portugal atinge todos os objetivos na luta contra a sida

País entra no lote de países que alcançaram a meta dos três noventas traçada pela ONU: 90% dos infetados diagnosticados, 90% em tratamento e 90% com carga viral não detetável.

Portugal atingiu todos os objetivos estabelecidos no programa das Nações Unidas para o combate ao VIH/Sida, conhecido como 90/90/90: 90% dos infetados diagnosticados, 90% em tratamento e 90% com carga viral não detetável. O anúncio foi feito esta sexta-feira pela Direção-Geral de Saúde, numa cerimónia em Lisboa.

Até agora, o país tinha atingido duas destas metas - relativa ao diagnóstico e à deteção da carga viral -, encontrando-se entre o grupo de países europeus mais bem-sucedidos na luta contra a doença. Em 2016, contabilizava já 91,7% de pessoas infetadas identificadas e 90,3% destes com o vírus suprimido, segundo dados da Direção-Geral de Saúde. Entre os diagnosticados, apenas 86,8% estava em tratamento. Resultados que, na altura, levaram o coordenador do Programa de Doenças Transmissíveis da OMS, Masoud Dara, a caracterizar Portugal como um país "exemplar".

Apesar do anúncio do alcance das três metas ter sido feito este ano, as estatísticas são publicadas com dois anos de atraso e, por isso, estas últimas referem-se ao ano de 2017. Desta forma, quando dizemos que o país atingiu os 'três noventas', significa que tal aconteceu já em 2017. Segundo a diretora do Programa Nacional para o VIH/sida, Isabel Aldir, Portugal tinha em 2017 mais de 92% de pessoas com a infeção já diagnosticada e 90,2% de doentes diagnosticados em tratamento. Quanto à última meta de 90, os dados oficiais indicam que 93% dos doentes em tratamento tinham o vírus suprimido. Isabel Aldir destacou que o vírus indetetável é equivalente a ser intransmissível, daí a importância de se atingir esse objetivo.

Os resultados alcançados por Portugal deveram-se a várias políticas de saúde. Mas a dirigente destacou uma decisão "absolutamente fundamental" tomada em 2015, quando se incluíram todas as pessoas infetadas e assintomáticas em tratamento, independentemente dos valores do parâmetro laboratorial que mostram como o sistema imunitário está afetado.

Para 2030, a ONUSIDA tem metas mais ambiciosas, que passam por elevar os três objetivos a 95%.

Ao atingir agora a meta dos doentes em tratamento, Portugal entra no lote de países que alcançaram os três noventas, ao lado de países como a Dinamarca, Islândia, Suécia, Grã-Bretanha e Irlanda do Norte.

Mas se as notícias são boas para o país, há outros que revelam números preocupantes, longe dos objetivos estabelecidos pela ONU. Há ainda uma média de 53 países europeus que participam no programa onde apenas 69% dos doentes estão identificados, 58% não está em tratamento e apenas 36% deixaram de ser uma ameaça na transmissão do vírus. Os países da Europa de Leste são os grandes responsáveis pelas percentagens tão baixas, explicava Masoud Dara.

Artigo atualizado às 17:30

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