Já há fotos do lugar mais distante do sistema solar. E Bryan May compôs a música

A sonda da NASA, New Horizons, resistiu no mundo gelado Ultima Thule e entrou em contacto com a Terra a 6,5 mil milhões de quilómetros. A mensagem foi captada pelas antenas de Madrid

Se o céu não tem limites, a sonda norte-americana da NASA acaba de o demonstrar. Num voo histórico, a New Horizons acaba de alcançar o ponto mais distante jamais alcançado por uma nave terrestre: Ultima Thule, para lá do limite do Sistema Solar até agora conhecido, a 6,5 mil milhões de quilómetros de distância do Sol.

Neste dia 1 de janeiro de 2018, a sonda entrou em contacto com a Terra para confirmar o êxito do sobrevoo do mundo gelado conhecido como Ultima Thule. E durante a passagem, a New Horizons tirou vários gigabytes de fotos e registou outros dados, que serão enviados para a Terra nos próximos meses.

A mensagem de rádio da nave robótica foi captada por uma das grandes antenas da Nasa, em Madrid, Espanha. Nesta transmissão, que demorou seis horas e oito minutos a chegar, havia informações de engenharia sobre a situação da sonda, mas também era conformado que a New Horizons tinha executado observações autónomas de passagem aérea corretamente e que a sua memória interna estava cheia de dados.

Esta terça-feira poderão ser mostradas ao público algumas dessas imagens.

Ultima Thule está situada no designado cinturão de Kuiper - a faixa de material congelado que orbita o Sol a mais de 2 mil milhões de quilómetros do que o oitavo dos planetas clássicos, Neptuno; e 1,5 mil milhões de quilómetros além do planeta anão Plutão, que a New Horizons visitou em 2015.

Estima-se que existam centenas de milhares de membros da Kuiper, como Ultima, e os cientistas acreditam que, devido ao seu estado glaciar, conterá certamente pistas sobre as condições de formação do Sistema Solar, há 4,6 mil milhões de anos.

Isto porque o Sol é tão fraco nesta região que as temperaturas estão abaixo de 30-40 graus do zero absoluto. Como resultado, as reações químicas praticamente paralisaram. Ultima está, por isso, num congelamento tão profundo que provavelmente está preservado no estado em que se formou, facto esse que vai ajudar a entender as origens do nosso sistema solar.

No espírito Queen

Esta conquista do espaço foi acompanhada de perto por Bryan May, guitarrista da lendária banda de rock Queen. May é astrofíosico e cientista participante da missão New Horizons. O seu interesse prende-se particularmente nas imagens estéreo captadas pela sonda.

Mas esta missão serviu também para o inspirar a lançar uma nova música para celebrar a New Horizons no dia de Ano Novo. "Esta missão representa para mim o espírito de aventura, descoberta e investigação que é inerente ao espírito humano", disse May durante a contagem regressiva para o sobrevôo. Ele escreveu uma música para homenagear a missão chamada "New Horizons (Ultima Thule Mix)".

A margem de sucesso desta operação era muito limitada, porque havia apenas uma única hipótese de a sonda sobrevoar o Ultima e captar as imagens, deslocando-se à velocidade vertiginosa de 14 quilómetros por segundo (cerca de 50 mil por hora)

"Tudo o que vamos aprender sobre Ultima - da sua composição à sua geologia, como ela foi originalmente criada, se tem satélites e uma atmosfera, e esse tipo de coisas - vai ensinar-nos sobre as condições originais de formação do Sistema Solar, como evoluíram e como cresceram todos os outros objetos que orbitamos, voamos e pousamos.Ultima é único ".