Quatro milhões de crianças no mundo desenvolvem asma devido a poluição automóvel

Estudo revela que cerca de quatro milhões de crianças desenvolvem asma anualmente devido à poluição automóvel. Em Portugal por ano surgem 3200 casos.

Um estudo do Instituto de Saúde Pública (Milken Institute SPH) da Universidade George Washington divulgado ao início da madrugada desta quinta-feira revela que há quatro milhões de crianças em todo o mundo que desenvolvem anualmente asma devido a causas relacionadas com a poluição automóvel, nomeadamente a inalação de dióxido de azoto (NO2). Em Portugal serão 3200 novos casos/ano.

Os investigadores basearam-se em dados de 2010 a 2015 para estimarem que 64% destes novos casos de asma ocorrem em áreas urbanas. A universidade afirma, em comunicado, que o estudo é o primeiro a quantificar o peso mundial de novos casos pediátricos de asma ligados à poluição causada pelo tráfego, usando um método que tem em conta elevadas exposições a este poluente (dióxido de azoto), junto a estradas muito movimentadas.

Susan C. Anenberg, professora associada de ambiente e saúde ocupacional no Milken Institute e uma das autoras do estudo, publicado na revista especializada The Lancet Planetary Health, disse que as descobertas sugerem que "milhões de novos casos pediátricos de asma podem ser prevenidos nas cidades" em todo o mundo, reduzindo a poluição do ar.

"Melhorar o acesso a formas mais limpas de transporte, como transportes públicos elétricos e impulsionar as vias cicláveis e pedonais, não só baixaria os níveis de poluição (NO2), como poderia reduzir a asma, melhoraria a aptidão física e reduziria a emissão de gases com efeito de estufa.

Os investigadores trabalharam dados sobre poluição em 194 países e nas 125 maiores cidades do mundo para estimarem as taxas de incidência de asma nas crianças.

Entre as 125 cidades, a contabilização de NO2 vai de 6% em Orlu, na Nigéria, a 48% em Shangai, China, na incidência de asma pediátrica, de acordo com o documento.

Oito cidades da China e Moscovo (Rússia) e Seul (Coreia do Sul) estão entre as mais afetadas, mas o problema atinge também cidades dos Estados Unidos, como Los Angeles, Nova Iorque, Chicago, Las Vegas e Milwaukee, que estão no top 5 norte-americano, com o maior número de casos de asma pediátrica.

Por países, as maiores cifras relacionadas com a poluição do ar foram encontradas na China, com 760 000 casos de asma por ano, seguindo-se a Índia, com 350 000 e os Estados Unidos, com 240 000.

Portugal não é um dos casos mais problemáticos, estimando os autores do estudo que possam surgir uma média de 3200 novos cassos casos por ano (com um intervalo entre 1400 e 4100 casos) e uma incidência de 170 novos casos/ano por 100 mil crianças, o que coloca o país no grupo dos países com uma realidade menos problemática. Ao jornal I, que divulga esta estimativa, Pattanun Achakulwisut, uma das autoras do estudo, sublinhou que "há muitos fatores de risco diferentes que podem levar ao desenvolvimento de asma, incluindo fumo passivo e alergénios".

A asma é uma doença crónica que dificulta a respiração e ocorre quando as vias respiratórias estão inflamadas. Estima-se que 235 milhões pessoas no mundo tenham atualmente asma, que pode causar falta de ar, bem como ataques que ameaçam a vida.

A Organização Mundial de Saúde considera a poluição "um grande risco para a saúde" e estabeleceu metas de qualidade para o NO2 e outros poluentes do ar.

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