Médicos anunciam greve para 2 e 3 de julho

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) acusa o Ministério da Saúde de continuar a recusar a negociação das reivindicações, como o "limite de 12 horas de trabalho em serviço de urgência", a "criação de um estatuto profissional de desgaste rápido e a diminuição da idade da reforma"

A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) já tinha anunciado, no início de maio, a greve nacional de um dia, após a reunião com a ministra da Saúde, Marta Temido, da qual também fez parte o Sindicato Independente dos Médicos. Agora foi marcada a data para o protesto, o dia 3 de julho.

À Lusa, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Roque da Cunha, indicou que este sindicato vai marcar, por sua vez, uma greve para o dia 2 de julho.

O Conselho Nacional da FNAM esteve reunido este fim de semana em Coimbra e decidiu marcar a greve nacional, bem como uma concentração, para esta data por entender que o Ministério da Saúde "continua a recusar negociar" as reivindicações destes profissionais de saúde, depois da realização de duas paralisações em 2017 e uma greve nacional de três dias em maio do ano passado.

"O descontentamento entre os profissionais médicos atinge proporções deletérias e é transversal a todos os setores de trabalho - público, privado ou social - e, por isso, a FNAM apela aos colegas que manifestem a sua insatisfação aderindo à greve nacional e concentração no dia 3 de julho de 2019", lê-se no comunicado publicado no site da Federação Nacional dos Médicos.

Na lista de reivindicações dos médicos estão, por exemplo, "o limite de 12 horas de trabalho em serviço de urgência, dentro do horário normal de trabalho" e a "consequente anulação das atuais 18 horas semanais", a criação "de um estatuto profissional de desgaste rápido e a diminuição da idade da reforma", bem como o início "imediato" do processo de "revisão da carreira médica e das respetivas grelhas salariais".

Médicos acusam Ministério de promover "a deterioração da qualidade dos cuidados de saúde"

Para a FNAM, a mudança de ministro da Saúde, em outubro de 2018 - Adalberto Campos Fernandes foi o anterior responsável pela pasta - não acrescentou nada, tendo-se mantido a "postura de empatar e diferir a tomada de decisões". A federação realça ainda "uma atitude de alguma hostilidade contra os médicos, de que é exemplo as afirmações desrespeitosas sobre a obrigatoriedade da permanência dos jovens médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), após o término da especialidade".

No comunicado, a FNAM responsabiliza "inteiramente" o Ministério tutelado por Marta Temido de promover, por exemplo, "a fuga dos médicos" para o privado e estrangeiro, a "degradação contínua das condições de trabalho", a desorganização dos serviços públicos de saúde, tanto nos cuidados primários como nos hospitais, a "deterioração da qualidade dos cuidados de saúde prestados aos doentes", quer no público quer no privado.

As duas estruturas sindicais, a FNAM e o SIM, têm prevista uma reunião negocial com o governo na sexta-feira.

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