Mais de metade das árvores europeias está ameaçada da extinção. É "alarmante"

A "lista vermelha" da União Internacional para a Conservação da Natureza indica que 58% das espécies de árvores que só crescem na Europa estão ameaçadas e 15% estão criticamente ameaçadas.

Pragas, poluição, doenças e o crescimento urbano. Estas são algumas das causas que levam a que mais de metade das árvores endémicas da Europa esteja ameaçada de extinção. O alerta foi dado esta sexta-feira pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), que, pela primeira vez, publica uma lista vermelha de árvores ameaçadas no continente europeu.

A UICN indica que das espécies de árvores endémicas, ou seja naturais da Europa, 58% estão ameaçadas e 15% (66 espécies) foram avaliadas como estado criticamente ameaçadas, a um passo da extinção. "As árvores são essenciais para a vida na Terra, e as árvores europeias, em toda a sua diversidade, são fonte de alimento e abrigo para inúmeras espécies de animais, como pássaros e esquilos, e desempenham um papel económico fundamental", afirmou Craig Hilton-Taylor, responsável pela Lista Vermelha da IUCN,

"É alarmante que mais de metade das espécies endémicas da Europa esteja ameaçada de extinção", considera Hilton-Taylor em comunicado da IUCN.

Sobreiros ameaçados e o castanheiro classificado como vulnerável

A organização, com sede na Suíça, analisou 454 espécies que existem no continente europeu e concluiu que entre essas espécies, 42% estão classificadas com "risco elevado de extinção".

A introdução de espécies invasoras, a exploração intensiva das florestas e o crescimento urbano são as principais causas do declínio das árvores em solo europeu. Doenças, desflorestação e modificação dos ecossistemas, principalmente por causa dos incêndios, são outras ameaças.

Segundo a UICN, os sobreiros estão especialmente ameaçados, enquanto espécies como o castanheiro, atacado por um inseto dos Balcãs, está classificado como "vulnerável".

As espécies sorbus, que incluem a tramazeira, também conhecida como Freixo da Montanha, estão especialmente em risco, sendo que três quartos das 170 espécies existentes estão ameaçadas, alerta a IUCN.

Perante este cenário, Craig Hilton-Taylor sublinha a necessidade de uma união de esforços "para garantir a sobrevivência" destas árvores ameaçadas de extinção.

"Somos incentivados a plantar mais árvores, e com toda a razão, mas temos de ter muito cuidado para garantir que elas não venham com espécies de pragas. Termos de ter muito cuidado com a biossegurança ", referiu David Allen, um dos autores do estudo da UICN, ao The Guardian. O aviso tem em conta o facto de que as espécies invasoras constituem uma das maiores ameaçadas às árvores endémicas.

Moluscos ameaçados de extinção

Mas o trabalho do IUCN não se cinge só a uma lista de árvores ameaçadas. A lista vermelha faz parte de um estudo mais alargado que examina espécies negligenciadas. Os especialistas concluíram que 20 a 50% dos moluscos terrestres, arbustros e briófitas, como o musgo, estão ameaçados de extinção.

"As principais ameaças a essas espécies são a perda e a destruição das áreas selvagens da Europa, bem como a agricultura, a introdução de espécies exóticas invasoras e as mudanças climáticas", considera o organismo sobre estas espécies que "raramente" são consideradas prioritárias nos planos e políticas de conservação, mas são, no entanto, cruciais nos ecossistemas.

O relatório da IUCN sobre o risco de extinção de moluscos terrestres (2469 espécies) em toda a Europa revela que mais de um quinto (22%) estão ameaçados de extinção.

Luc Bas, diretor IUCN para a Europa, considera que o impacto da atividade humana está a ter como consequência o declínio da população e um aumento do risco de extinção de espécies importantes em toda a Europa".

"Este relatório mostrou o quão terrível é a situação para muitas espécies subestimadas e negligenciadas, que formam a espinha dorsal dos ecossistemas da Europa e que contribuem para um planeta saudável". Luc Bas alerta, por isso, para a necessidade de reduzir o impacto humano nos nossos ecossistemas e dar prioridade à proteção destas espécies.

Outras Notícias

Outros conteúdos GMG