Jornalistas do DN Ana Mafalda Inácio e Reinaldo Rodrigues ganham prémio

A jornalista Ana Mafalda Inácio e o fotojornalista Reinaldo Rodrigues ganharam o 2º prémio de jornalismo "Analisar a pobreza na Imprensa", atribuído pela EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza, com a reportagem "Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?"

A sociedade portuguesa é inclusiva? A pergunta serviu de ponto de partida para o trabalho da jornalista Ana Mafalda Inácio e do fotojornalista Reinaldo Rodrigues que fizeram um retrato da população com deficiência. Histórias na primeira pessoa de quem lida diariamente com esta realidade foram dadas a conhecer na reportagem "Um milhão e 700 mil portugueses têm incapacidade. Somos uma sociedade inclusiva?", publicada a 2 de dezembro de 2018, e que acaba de ser distinguida com o 2º lugar (na Categoria Imprensa Nacional) na primeira edição do prémio de jornalismo "Analisar a pobreza na Imprensa", atribuído pela EAPN Portugal/Rede Europeia Anti-Pobreza.

"Acho que é um trabalho importante a partir do qual tentamos chamar a atenção para uma realidade da sociedade portuguesa que tem estado escondida", diz a jornalista Ana Mafalda Inácio, "grata pelo reconhecimento do trabalho que o DN fez".

"'O medo está na base de todas as formas de exclusão, tal como a confiança está na génese de todas as formas de inclusão'. A frase é de Jean Vanier, o homem que fundou a Arca, L'Arche, a comunidade no norte de França que acolhe homens e mulheres portadores de deficiência mental. E que ao longo do trabalho que o DN agora inicia, com um ciclo de reportagens, histórias na primeira pessoa, de crianças, jovens, pais, que lidam com esta realidade, nos remeteu para uma única questão: do que temos medo? "Ou melhor, do que tem medo a sociedade portuguesa quando se olha para o mercado de trabalho e a taxa de desemprego com pessoas com deficiência aumentou nos últimos anos, quando a taxa da população geral diminuiu? Do que tem medo a sociedade quando as queixas por discriminação a pessoas com deficiência aumentaram em 2017, do que se tem medo quando ainda nas escolas, nas empresas, nos transportes, nos cafés, na rua, não somos ainda capazes de olhar para os outros não pela sua incapacidade mas pela pessoa que são?", escreveu Ana Mafalda Inácio no artigo que foi agora premiado.

"Tentamos alertar a sociedade portuguesa para uma realidade que afeta mais de um milhão de pessoas e que há muito está escondida", refere a jornalista.

Na Categoria de Imprensa Nacional, o 1º lugar foi atribuído à reportagem "Esta escola já não é só para ciganos", dos jornalistas Ana Cristina Pereira e Adriano Miranda, do jornal Público, e 3º lugar foi para "Lurdes vive na carcaça de uma antiga escola. Para onde irá agora?", também da autoria de Ana Cristina Pereira, mas com o fotojornalista Paulo Pimenta.

"Este é um prémio importante que destaca trabalhos que mostram uma realidade escondida da sociedade portuguesa", realça Ana Mafalda Inácio, referindo-se às reportagens que também foram premiadas nesta primeira edição do prémio de jornalismo "Analisar a pobreza na Imprensa".

A iniciativa tem como objetivo distinguir trabalhos jornalísticos que abordem a pobreza e a exclusão social "de forma digna, livre de preconceito e de outras representações negativas sobre estas matérias". Em 2018, foram selecionados e analisados pelos 18 Conselhos Locais de Cidadãos 28 notícias de âmbito nacional e 30 notícias de âmbito regional.

Na Categoria de Imprensa Regional, Ana Martins Ventura e Alex Gaspar (O Setubalense) foram distinguidos com o 1º lugar com a peça "Esta é uma vitória nossa". Carlos Almeida e Joaquim Dâmaso (Jornal Região de Leiria) com o trabalho "Inclusão - Quando as empresas abrem portas à diferença todos saem a ganhar", e Daniela Franco Sousa e Ricardo Graça (Jornal de Leiria) com "Sementes da Globalização" foram premiados com o 2º e 3º lugar, respetivamente.

Nas duas categorias, nacional e regional, o primeiro lugar vai receber como prémio uma peça assinada pelo artista plástico João Carqueijeiro. O segundo e o terceiro lugar serão agraciados com um galardão simbólico.

A atribuição dos prémios está prevista para o dia 16 de outubro, a partir das 18:00, no Museu Nacional da Imprensa, no Porto.

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