Universidades pagam para ter os melhores alunos? Em Portugal já se faz

No Superior oferecem-se incentivos financeiros para convencer os candidatos. Universidades consideram ser uma forma de premiar os alunos com melhores notas de acesso. Estes prémios de mérito podem valer mil euros.

Uma grande parte dos alunos que frequentam desde segunda-feira as duas licenciaturas do Instituto Superior de Estatística e Gestão da Universidade Nova de Lisboa vai receber um prémio de mérito no valor de mil euros neste seu primeiro ano no ensino superior.

Este incentivo à excelência não é inédito no ensino superior em Portugal - há outras universidades a premiarem os alunos de primeiro ano com notas de acesso acima dos 16 ou 17 valores -, mas tem o destaque de serem 54 em 83 os alunos (das licenciaturas em Sistemas e Tecnologias de Informação e Gestão de Informação) que vão ter direito a essa verba.

Os premiados entraram com média igual ou superior a 17 valores e por isso vão receber o que a Nova IMS - um instituto da Universidade Nova de Lisboa - denomina como Prémio de Incentivo à Excelência Académica.

De fora ficam os alunos que tiveram, segundo os dados da Direção-Geral do Ensino Superior, uma nota de 16,9 - em Gestão de Informação foi esta a nota do último colocado - e entre 16,2 e 16,9 no curso de Sistemas e Tecnologias de Informação. Ou seja, 29 no total.

Desta forma a Nova IMS já investiu 54 mil euros para ter nos seus cursos alguns dos melhores alunos do secundário, que assim são premiados pelo desempenho escolar.

Uma prática que conta com a colaboração de "entidades que apoiam a NOVA IMS", como revelou a instituição ao DN, e que tem dado bons resultados, como referiu, por escrito, a direção do instituto, que adiantou rever anualmente os critérios de atribuição, aumentando a sua dificuldade.

"Ao longo dos tempos tem-se registado um incremento nas notas de candidatura. Uma vez que o objetivo deste prémio é reconhecer o talento dos novos alunos, os critérios têm vindo a ser atualizados em função das crescentes dinâmicas de procura da NOVA IMS. Além deste prémio, existem diversos outros destinados a reconhecer o percurso académico dos alunos da NOVA IMS ao longo dos cursos", frisaram os responsáveis ao DN.

Uma vez que o objetivo deste prémio é reconhecer o talento dos novos alunos, os critério têm vindo a ser atualizados em função das crescentes dinâmicas de procura da NOVA IMS

Certo é que este prémio é considerado uma forma de incentivo à escolha do instituto quando se pensa na candidatura ao ensino superior: "Acreditamos que sim, como se pode testemunhar através da evolução do número de candidatos e nas notas de acesso desses mesmos candidatos."

Esta prática de dar prémios monetários especiais aos alunos que se candidatem com determinada nota - que nesta instituição existe desde 2002 - não é um exclusivo da Nova. Há até bastantes universidades a fazerem-no na tentativa de cativarem para os seus campus os alunos com melhores notas e que podem ajudar à notoriedade da própria universidade com futuros posicionamentos nos rankings nacionais e internacionais.

A Universidade de Aveiro também tem estas bolsas especiais. Neste caso, a quantia corresponde ao valor da propina nacional e, como explicou ao DN fonte oficial da UA, podem candidatar-se os alunos "admitidos nos cursos de formação inicial (licenciaturas e mestrados integrados) por via do concurso nacional de acesso, na primeira fase e como primeira opção, com média igual ou superior a 175 pontos [17,5 valores]".

De acordo com os dados enviados ao DN para o ano letivo 2018-2019, o terceiro em que tal acontece, serão 86 os alunos a merecer esta distinção.

Cada universidade tem a sua estratégia para premiar os seus alunos. Por exemplo, a Universidade do Porto tem vários prémios de desempenho escolar, mas que são concedidos apenas a alunos que já frequentam as suas faculdades.

Universidade do Porto dá cerca de mil euros aos melhores alunos do primeiro ano de cada faculdade

No caso dos caloiros, o que "está em jogo" é uma verba de 999 euros a receber pelos melhores estudantes do primeiro ano de cada faculdade ou "aos dois melhores nas faculdades com mais estudantes", como explicou ao DN fonte oficial da universidade.

Este prémio de incentivo é composto por um diploma/certificado e pelo valor anual da propina.

Também a Universidade de Coimbra tem incentivos para os melhores alunos das suas faculdades atribuídos internamente.

Um deles é dado a 3% dos melhores estudantes inscritos em cada curso de 1.º ciclo, mestrado integrado e mestrados de continuidade, um prémio anual equivalente à diferença entre a propina máxima e a mínima - no ano letivo passado este valor foi de 406,97 euros.

Depois tem as bolsas de mérito para estudantes nacionais - que são pagas pela Direção-Geral do Ensino Superior - e para alunos internacionais. Estes têm de ter os exames feitos fora da Universidade de Coimbra e uma nota de candidatura superior a 16 valores. O prémio é de sete mil euros anuais, ou seja, o valor da propina que os alunos estrangeiros pagam.

Entre as universidades privadas, a Lusófona também oferece bolsas de mérito aos alunos que se inscrevam no primeiro ano. Para se candidatarem têm de ter uma média de 16 valores e ter entrado na Lusófona pelo concurso de acesso.

Segundo os serviços da universidade, neste ano serão cerca de 200 os alunos que vão beneficiar de uma redução de 75% das propinas ao abrigo da Bolsa para Premiar a Excelência.

Bolsa de mérito

Estes prémios que tanto o Instituto Superior de Estatística e Gestão da Universidade Nova de Lisboa como outras universidades vão dar a alunos que tenham tido notas de excelência no ensino superior são independentes das bolas de mérito que desde 2009 o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superioratribui a todos os alunos que cumpram os requisitos previstos no Despacho n.º 13531/2009.

Neste caso, as universidades recebem da Direção-Geral do Ensino Superior as verbas que depois são entregues aos alunos que sejam indicados para estas bolsas.

Estes só podem candidatar-se a estas verbas caso tenham conseguido aprovação em todas as unidades curriculares no ano anterior à candidatura e com uma média de 16 valores.

No caso de cumprirem estes requisitos, recebem um valor estipulado em cinco vezes o salário mínimo nacional. Por exemplo, a bolsa atualmente será de 2900 euros.

Este é o valor que a Universidade de Trás-os-Montes atribui a cada uma das suas 14 bolsas por mérito. De acordo com fonte oficial, a instituição tem ainda o Programa+Superior, que visa incentivar a mobilidade de alunos que queiram ir estudar para regiões do país onde a procura do ensino superior é menor e que está regulamentada pelo Despacho n.º 7103/2018.

Apoio aos desportistas

Todas as instituições de ensino superior têm vários apoios aos alunos e formas de tentar cativá-los. Por exemplo, a Universidade de Aveiro apostas na promoção da atividade desportiva de quem frequenta os seus cursos.

O regulamento das bolsas de mérito abrange "todos os estudantes que, estando inscritos a tempo integral e tendo obtido aproveitamento escolar, alcancem bons resultados em competições desportivas".

Este apoio varia depois de acordo com a dimensão e o tipo de competição e resultado alcançado, podendo ser uma redução parcial ou total do valor da propina até à atribuição de um valor equivalente a 1,5 vezes o valor da propina.

Segundo a informação disponibilizada ao DN, já foram entregues bolsas neste âmbito desportivo a "quase duas centenas de estudantes".

(atualizada com nova referência aos candidatos ao Prémio de Incentivo à Excelência Académica da Nova IMS)

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.