Suplementos de ómega 3 sem benefícios para o coração

Uma nova investigação concluiu que os suplementos de ómega 3 não protegem de ataques do coração nem de AVC, ao contrário da crença comum.

Ao contrário do que se pensa, os suplementos de ómega 3 não nos protegem de um ataque cardíaco nem de um acidente vascular cerebral (AVC). concluiu uma nova investigação levada a cabo pela Cochrane, uma organização internacional sem fins lucrativos.

"Podemos confiar nas descobertas desta revisão, que vão contra a crença popular de que os suplementos de ómega 3 de cadeia longa protegem o coração."

Para testar os efeitos do ómega 3 foi realizada uma revisão sistemática, que analisa as evidências dos resultados de vários estudos, envolvendo mais de 112 mil pessoas, e cuja conclusão vai contra o que milhares de pessoas pensam, ou seja, não foi encontrada nenhuma evidência de que os suplementos desta gordura sejam benéficos.

"Podemos confiar nas descobertas desta revisão, que vão contra a crença popular de que os suplementos de ómega 3 de cadeia longa protegem o coração", afirmou Lee Hooper, da Universidade de East Anglia, autora principal do estudo da Cochrane. "Esta grande revisão inclui informação de milhares de pessoas por longos períodos e, no entanto, não vemos efeito que protege contra doenças cardiovasculares."

O consumo de ómega 3, um tipo de gordura encontrada nos alimentos que ingerimos, é essenciais ao nosso organismo. Cochrane explica que os ácidos gordos de ómega 3 de cadeia longa (EPA e DHA) são "naturalmente encontrados em peixes gordurosos, como salmão e óleos de peixe, incluindo óleo de fígado de bacalhau".

Os investigadores concluíram que os suplementos de ómega 3 não tinham "efeito significativo" no risco de morte, ataques cardíacos ou de AVC

"O aumento do consumo de gorduras ómega 3 é amplamente divulgado em todo o mundo por causa de uma crença comum de que protege contra doenças cardíacas", refere a organização. Este tipo de gordura está disponível em suplementos que "são amplamente" consumidos em todo o mundo. A investigação, divulgada esta quarta-feira, combina os resultados de 79 ensaios clínicos que avaliaram os efeitos do consumo suplementar de ómega 3 em pessoas da América do Norte, Europa, Austrália e Ásia.

Alguns dos participantes mantiveram a sua dieta normal enquanto os restantes acrescentaram o suplemento extra de ómega 3, durante, pelo menos, um ano. Neste último grupo, foi analisado o consumo dos ácidos gordos de ómega 3 de cadeia longa (EPA e DHA) em forma de cápsula diária, os efeitos da ingestão de peixe e o consumo de ALA, de cadeia curta, o tipo de gordura de ómega 3 proveniente de plantas, que foi adicionada à margarina ou consumida através de nozes, explica o The Guardian.

Os cientistas acreditam, no entanto, que "as gorduras ómega 3 de cadeia longa provavelmente reduziram algumas gorduras no sangue, triglicerídeos e colesterol HDL"

Os investigadores concluíram que os suplementos de ómega 3 não tinham "efeito significativo" no risco de morte, ataques cardíacos ou de AVC. "O risco de morte por qualquer causa foi de 8,8% em pessoas que aumentaram a ingestão de gorduras ómega 3, em comparação com 9% em pessoas nos grupos de controlo", lê-se na conclusão do estudo da Cochrane.

Os cientistas acreditam, no entanto, que "as gorduras ómega 3 de cadeia longa provavelmente reduziram algumas gorduras no sangue, triglicerídeos e colesterol HDL. É provável que a redução dos triglicerídeos seja protetora de doenças cardíacas, mas a redução do HDL tem o efeito oposto".

De acordo com Lee Hooper, a crença popular de que os suplementos de ómega 3 podiam proteger contra as doenças cardiovasculares surgiu em estudos realizados nos anos 1980 e início de 1990. "Todos nós acreditamos nisso durante um bom tempo. Mas nenhum dos testes desde então mostrou esses resultados", explicou.

A Cochrane engloba investigadores, profissionais de saúde de 90 países e que tem como objetivo promover a tomada de decisões de saúde com base em revisões sistemáticas e provas de síntese.

Ler mais

Premium

Rosália Amorim

"Sem emoção não há uma boa relação"

A frase calorosa é do primeiro-ministro António Costa, na visita oficial a Angola. Foi recebido com pompa e circunstância, por oito ministros e pelo governador do banco central e com honras de parada militar. Em África a simbologia desta grande receção foi marcante e é verdadeiramente importante. Angola demonstrou, para dentro e para fora, que Portugal continua a ser um parceiro importante. Ontem, o encontro previsto com João Lourenço foi igualmente simbólico e relevante para o futuro desta aliança estratégica.

Premium

João Gobern

Tirar a nódoa

São poucas as "fugas", poucos os desvios à honestidade intelectual que irritem mais do que a apropriação do alheio em conluio com a apresentação do mesmo com outra "assinatura". É vulgarmente referido como plágio e, em muitos casos, serve para disfarçar a preguiça, para fintar a falta de inspiração (ou "bloqueio", se preferirem), para funcionar como via rápida para um destino em que parece não importar o património alheio. No meio jornalístico, tive a sorte de me deparar com poucos casos dessa prática repulsiva - e alguns deles até apresentavam atenuantes profundas. Mas também tive o azar de me cruzar, por alguns meses, tempo ainda assim demasiado, com um diretor que tinha amealhado créditos ao publicar como sua uma tese universitária, revertido para (longo) artigo de jornal. A tese e a história "passaram", o diretor foi ficando. Até hoje, porque muitos desconhecem essa nódoa e outros preferiram olhar para o lado enquanto o promoviam.