Parlamento chama ministra para explicar atrasos em exames de doentes com cancro

Marta Temido vai ao parlamento explicar os atrasos em exames para doentes oncológicos registados no Centro Hospitalar do Algarve e no Instituto Português de Oncologia de Lisboa.

A comissão parlamentar de Saúde aprovou hoje por unanimidade o requerimento do PSD que pedia a "audição urgente" da ministra da Saúde, dos conselhos de administração do Centro Hospitalar Universitário do Algarve e do Instituto Português de Oncologia de Lisboa, bem como da Ordem dos Médicos, "a propósito dos atrasos verificados na realização de exames para doentes oncológicos".

Na semana passada, o Correio da Manhã noticiou o caso de um doente com cancro do pulmão, que estava a ser seguido no Centro Hospitalar do Algarve, e que morreu a 27 de março deste ano sem fazer quimioterapia devido ao atraso de exames decisivos para definir o tratamento adequado.

O doente teve de esperar por um exame sete vezes mais tempo do que o recomendado, adianta o jornal, afirmando que este não é um caso isolado, havendo pelo menos cincos casos no Hospital de Portimão e outros ainda por quantificar em Faro.

Segundo o Correio da Manhã, "a falta de um termo de responsabilidade, ou seja, uma garantia de pagamento que acompanhasse a amostra, levou o Instituto Português de Oncologia (IPO) a recusar o exame enviado pelo Centro Hospitalar Universitário do Algarve no dia 23 de janeiro".

O IPO mandou, entretanto, abrir um processo de averiguações para apurar o que se passou com o atraso no exame.

Contactado pela agência Lusa, o presidente do IPO de Lisboa, João Oliveira, afirmou que "a crítica de que a recusa do exame tivesse motivo financeiro não tem qualquer fundamento".

"O termo de responsabilidade que deverá acompanhar um exame como este tem também uma finalidade à posteriori de se proceder à regularização financeira, mas a recusa que existiu foi com base no procedimento do serviço de anatomia patológica que usa também o termo de responsabilidade para completar os dados administrativos relacionadas com o doente", explicou João Oliveira em declarações à Lusa na semana passada.

O oncologista disse perceber que "as pessoas se interroguem, porque os termos de responsabilidade estão associados à parte financeira", mas estes também são "uma peça essencial na fase pré-analítica dos exames como está estabelecido nos manuais das boas-práticas nacionais".

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