Novo sinal de perigo de sapos. Estradas de Portugal justificam com segurança dos condutores

A instalação do sinal de perigo com um sapo "visa alertar o condutor para a possível existência de más condições de aderência do pavimento, devido à acumulação de restos mortais de anfíbios no piso molhado", justifica a Infraestruturas de Portugal.

A Infraestruturas de Portugal (IP) explica as razões para a instalação de sinais de perigo com um sapo no distrito de Évora. Uma justificação que surge na sequência da notícia do DN.

"A instalação do sinal foi autorizada, de forma experimental, pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária e tem simultaneamente o objetivo de proteger os anfíbios, que apresentam uma mobilidade reduzida, o que os torna particularmente vulneráveis na estrada, e visa alertar o condutor para a possível existência de más condições de aderência do pavimento, devido à acumulação de restos mortais de anfíbios no piso molhado (peles 'escorregadias'), levando o condutor a tomar uma atitude mais defensiva e a reduzir a velocidade", esclarecem, numa resposta enviada por email.

Aquele sinal vertical faz parte do Projeto LIFE LINES, que além da IP tem como parceiros as autarquias de Évora e Montemor-o-Novo e é coordenado pela Universidade de Évora. Alerta para o facto de ser uma zona de atravessamento de anfíbios (rãs, sapos e salamandras). E, segundo os investigadores, morrem milhões destes animais nas estradas portuguesas.

A IP "assumiu neste projeto alguns trabalhos de adaptação das infraestruturas rodoviárias às medidas de conservação de biodiversidade definidas, entre os quais trabalhos de minimização do efeito barreira e da mortalidade de fauna. Estas ações visam simultaneamente aumentar os níveis de segurança rodoviária, procurando minimizar os efeitos negativos da interação entre espécies animais e utilizadores das vias", explicam. Acrescentam que existem iniciativas idênticas em outros países europeus.

Este é um novo sinal rodoviário que espera legislação do Governo para ser homologado. Tem a figura de um sapo, a espécie mais conhecida do grupo de anfíbios" e foi instalado nos troços da EN 114 e da EN4, no distrito de Évora.

É uma das alterações a fazer no Código de Estrada, tal como a introdução de um sinal de perigo com o Lince Ibérico, mas desde 2011 que não são aprovadas novos sinais e regras de trânsito. Situação que motivou um pedido de esclarecimento do CDS ao ministro da Administração Interna.

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Maria Antónia de Almeida Santos

Uma opinião sustentável

De um ponto de vista global e a nível histórico, poucos conceitos têm sido tão úteis e operativos como o do desenvolvimento sustentável. Trouxe-nos a noção do sistémico, no sentido em que cimentou a ideia de que as ações, individuais ou em grupo, têm reflexo no conjunto de todos. Semeou também a consciência do "sustentável" como algo capaz de suprir as necessidades do presente sem comprometer o futuro do planeta. Na sequência, surgiu também o pressuposto de que a diversidade cultural é tão importante como a biodiversidade e, hoje, a pobreza no mundo, a inclusão, a demografia e a migração entram na ordem do dia da discussão mundial.