Greve dos Enfermeiros. Bastonária admite mais mortes de doentes

A bastonária dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, admite que a greve dos enfermeiros aos blocos operatórios pode "potenciar" as mortes evitáveis de doentes. Mas diz que o risco nasce mais da "exaustão" dos profissionais.

Ana Rita Cavaco defende a greve dos enfermeiros aos blocos operatórios com a garantia de que os profissionais estão a "trabalhar em exaustão". A bastonária da Ordem dos Enfermeiros admite que as mortes evitáveis possam subir, mas sublinha que já acontecem há muito tempo "por incumprimento do número mínimo de enfermeiros".

"Estamos a falar de mortes evitáveis que acontecem todos os dias. E são estudos internacionais e nacionais que nos dizem que por cada doente a mais por enfermeiro a taxa de mortalidade nos hospitais aumenta", afirma a bastonária ao DN. E acrescenta: "Ora se a Ordem tem denunciado ao longo destes três anos situações em que está um enfermeiro para 40 doentes, é evidente que já morreu muita gente cujas mortes podiam ter sido evitadas."

Aquela responsável lembra ainda uma auditoria do Tribunal de Contas (TC), do ano passado, relativamente às listas de espera, que revelou que morreram mais de duas mil pessoas sem resposta dos hospitais. "Portugal é dos países da OCDE com menor número de enfermeiros por mil habitantes", recordou.

"Ora se a Ordem tem denunciado ao longo destes três anos situações em que está um enfermeiro para 40 doentes, é evidente que já morreu muita gente cujas as mortes podiam ter sido evitadas."

Ao facto de o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, ter dito nesta segunda-feira que a manter-se a situação de greve por muito tempo o risco de haver mais mortes aumenta, Ana Rita Cavaco responde em tom crítico com a ideia de que a Ordem dos Médicos não se tem preocupado com o problema das mortes evitáveis ou com as das pessoas que estavam em lista de espera, como revelou o TC.

Ana Rita Cavaco garante que os enfermeiros estão a ir além dos serviços mínimos estipulados, numa greve que está marcada até final do mês. "Há blocos operatórios que não estão a ser preenchidos não porque os enfermeiros não estão lá, é porque não há cirurgiões", garante.

Sobre as condições profissionais dos enfermeiros afirma que são péssimas: "Há situações em que os enfermeiros desmaiam nos blocos operatórios. Isto é que oferece segurança às pessoas? Não me parece! Um enfermeiro pode cuidar de 40 pessoas?", questiona.

Recorda ainda que a Ordem tem um estudo, feito em parceria com uma universidade, que mostra que um em cada cinco enfermeiros está a trabalhar em exaustão. "Quer risco maior do que isto? Não existe! Os enfermeiros estão a falar claro, não aguentam mais."

"Há situações em que os enfermeiros desmaiam nos blocos operatórios. Isto é que oferece segurança às pessoas? Não me parece! Um enfermeiro pode cuidar de 40 pessoas?"

Os dados que conhece dos sindicatos apontam para as cinco mil cirurgias já canceladas, uma média de 500 por dia. A quem compete resolver? "Ao governo!", dispara a bastonária, e diz que há má vontade com os enfermeiros quando a ministra da Saúde se recusa a negociar com os sindicatos.

Nesta terça-feira, Ana Rita Cavaco reúne-se com os dois sindicatos que decretaram a greve, os cinco enfermeiros diretores e o movimento dos enfermeiros da greve às cirurgias para "ver o que estão a planear fazer". Ou seja, se prolongam a greve para lá do final do mês.

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