Eles não procuram trabalho: são disputados pelas empresas

Entre os cursos com médias de acesso mais altas, há casos em que metade (ou perto) dos alunos já foram contratados antes de terminarem as suas formações. Muitos são disputados no estrangeiro

Se ainda há quem procure explicações para a ascensão das tecnologias ao topo dos cursos com média de último colocado mais elevada, as saídas profissionais podem ser o derradeiro argumento. Em Medicina, este ano fora do top cinco das formações de acesso mais restrito, o acesso ao emprego continua a ser uma perspetiva relativamente segura. Mas em algumas das engenharias e outras formações ligadas à tecnologia que hoje lideram estes rankings, são as empresas a terem de se esforçar para garantirem os trabalhadores. Ao ponto de haver cursos em que mais de metade dos alunos já escolheram o local de emprego antes de receberem o canudo.

Engenharia Física e Tecnológica (IST), o curso - excetuando a situação particular de um aluno em Engenharia Civil, na Madeira - com nota de último acesso mais elevada em 2018 (18,9 valores), é um daqueles exemplos de formações em que os diplomados não chegam para os pedidos do mercado. De acordo com o último Relatório Sobre a Situação Profissional de Diplomados de 2.º Ciclo, divulgado no ano passado pelo Técnico, 26,7% dos diplomados tinham garantido o primeiro emprego antes de concluírem o curso, uma percentagem que subia para os 86,7% nos seis meses que se seguiam a concluírem os cursos. A remuneração média mensal era da ordem dos 1635 euros, valores que subiam exponencialmente nos casos dos alunos (25% do total de diplomados) que tinham optado por uma experiência internacional.

Engenharia Aeroespacial, da mesma instituição, que este ano baixou para a segunda posição (18,85 valores) após duas lideranças consecutivas, tinha de acordo com o mesmo relatório 33,33% dos alunos empregados antes de terminarem o curso, passando a 83,3% ao fim de seis meses. O salário médio era de 1531 euros e a taxa de internacionalização dos diplomados de 25,8%.

Engenharia e Gestão industrial, da Universidade do Porto (18,63 valores na nota mínima de acesso deste ano) conta, de acordo com indicadores de empregabilidade enviados ao DN pela instituição, com uma taxa de 43% de alunos empregados antes de terminarem o respetivo curso, que aumenta para 87% no primeiro semestre após a conclusão. Ao nível dos vencimentos mensais brutos, a maioria está na faixa dos 1001 aos 1500 euros (45%), seguindo-se a fasquia dos 801 aos 1000 euros (40%). Comparativamente, esta parece ser uma formação pouco dada à "exportação" de talentos, com apenas 3% dos novos graduados a trabalharem no estrangeiro.

Formar e exportar

no curso de Bioengenharia (18, 3 valores), na mesma universidade, a taxa de alunos empregues antes de se diplomarem ronda quase a metade (49%), valor que se eleva aos 73% ao fim de seis meses. . Outro aspeto marcante é o da internacionalização: mais de um quinto (22%) dos diplomados empregues estavam no estrangeiro.

Esta peculiaridade explica a discrepância salarial existente entre diplomados. Se o maior grupo (54%) começava a trabalhar com rendimentos entre os 801 e 100 euros, uma peercentagem assinalável (5%) ganhava entre 2501 e 300 euros no primeiro emprego.

Para o curso de Matemática Aplicada e Computação (18,35 de nota de ingresso), do IST, não existem estatísticas conclusivas.

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