Dói-lhe o joelho? A culpa pode ser da fabela, o osso que está a ressurgir

Em 1918, 11,2% da população tinha este osso cuja função é desconhecida e aumenta o risco de artrose. Em 2018, estava presente em 39% da população.

Há um pequeno osso no joelho que se pensava estar a desaparecer com a evolução. Chama-se fabela, uma palavra que vem do latim e significa "pequeno feijão", está ligado a um aumento do risco de artrose, segundo um estudo do Imperial College de Londres, é hoje três vezes mais comum do que há um século.

A fabela é um osso sesamoide, isto é, um osso arredondado, que cresce no tendão de um músculo (o maior é a patela, ou rótula). A fabela é muito mais pequena e fica atrás do joelho, sendo por vezes nas radiografias confundido com um fragmento ósseo ou um corpo estranho. Mas nem todas as pessoas o têm.

De acordo com o estudo, publicado no Journal of Anatomy, 11,2% da população tinha fabelas em 1918. Um século depois, é três vezes mais comum, estando presente em 39% da população. O estudo é feito a partir das análises de raios-X, dissecações anatómicas e mais recentemente ressonâncias magnéticas.

"Não sabemos qual é a função da fabela - nunca ninguém olhou para ela", disse o principal autor do estudo, Michael Berthaume, do Departamento de Bioengenharia do Imperial College, citado num comunicado.

"A fabela pode comportar-se como outros ossos sesamoides para ajudar a reduzir o atrito dentro dos tendões, redirecionando as forças musculares ou, como no caso da rótula, aumentando a força mecânia desse músculo. Ou pode não estar a fazer nada", acrescentou.

Este osso adicional pode trazer problemas, já que pessoas com artrose nos joelhos têm mais tendência para ter este osso do que as pessoas que não têm a doença -- não sendo ainda claro se a fabela causa o problema. Também pode simplesmente causar dor e desconforto.

"Aprendemos que o esqueleto humano tem 206 ossos, mas o nosso estudo questiona isto. A fabela é um osso que não tem função aparente e causa dor e desconforto para algumas pessoas e pode exigir a remoção se causar problemas. Talvez a fabela seja em breve conhecida como o apêndice do esqueleto", acrescentou Berthaume.

Segundo o autor do estudo, o aumento da prevalência da fabela pode dever-se à melhoria na nutrição.

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