Consumo de frutos secos melhora qualidade do esperma

Comer frutos secos diariamente melhora a quantidade e qualidade do esperma, conclui estudo espanhol

O hábito de comer diariamente nozes, amêndoas e avelãs melhora a qualidade e a quantidade do esperma, nomeadamente a vitalidade, a forma e mobilidade, fatores que estão diretamente ligados à fertilidade masculina, concluiu um estudo espanhol, realizado pela Universidade Rovira i Virgili (URV), em Reus, Tarragona, cujos resultados foram apresentados na quarta-feira em Barcelona no congresso da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia.

"O nosso trabalho mostra o papel benéfico do consumo contínuo de nozes em relação à qualidade dos espermatozoides", sintetiza o professor Albert Salas-Huetos, responsável pelo ensaio clínico, citado pelo jornal ABC . Defende ainda que as evidências que resultaram deste estudo mostram "a necessidade de novas pesquisas para o estabelecimento de recomendações dietéticas específicas para homens".

Como foi feito o estudo

Participaram neste estudo 119 voluntários, entre os 18 e os 35 anos. Homens saudáveis, mas com uma dieta pobre em legumes e frutas. Foram divididos em dois grupos distintos, sendo que num deles, os participantes consumiram 60 gramas diárias de frutos secos, que incluíam nozes, amêndoas e avelãs e no outro grupo foi mantida a dieta normal.

Após 14 semanas, concluiu-se que o número de espermatozoides aumentou 16% nos homens que consumiram frutos secos

No início e no fim deste ensaio clínico, foi analisado o sangue e o esperma dos indivíduos dos dois grupos. Após 14 semanas, concluiu-se que o número de espermatozoides aumentou 16% nos homens que consumiram frutos secos.

Gorduras ómega 3 e micronutrientes antioxidantes, abundantes em nozes, influenciam a qualidade do esperma

Ao fim dos três meses e meio foi detetado ainda um aumento de 4% na vitalidade, 6% na mobilidade e 1% na morfologia do esperma dos indivíduos do grupo que consumiu diariamente frutos secos. Fatores que, de acordo com os autores do estudo, estão diretamente ligados à fertilidade masculina.

De acordo com o jornal La Vangardia, o trabalho realizado pela URV junta-se a outros estudos que revelam que gorduras ómega 3 e micronutrientes antioxidantes, abundantes em nozes, influenciam a qualidade do esperma.

É "evidente" que os frutos secos "são uma componente chave da saudável dieta mediterrânica", sublinha responsável pelo estudo

Mas apesar das vantagens benéficas do consumo diário de frutos secos, Albert Salas-Huetos alerta. "Não podemos dizer aos casais que querem ter um filho que comam nozes. Não seria correto fazer recomendações a partir de um único estudo". Salas-Huetos prefere sublinhar que a importância de um estilo de vida saudável, "que incluiu uma boa alimentação, além de evitar o tabaco e o excesso de alcool e de stress, ajuda a melhorar os parâmetros de fertilidade", diz o responsável pelo estudo espanhol, citado pelo La Vanguardia. Mas é "evidente" que os frutos secos "são uma componente chave da saudável dieta mediterrânica", sublinha o professor.

Ler mais

Exclusivos

Premium

Ricardo Paes Mamede

O populismo entre nós

O sucesso eleitoral de movimentos e líderes populistas conservadores um pouco por todo o mundo (EUA, Brasil, Filipinas, Turquia, Itália, França, Alemanha, etc.) suscita apreensão nos países que ainda não foram contagiados pelo vírus. Em Portugal vários grupúsculos e pequenos líderes tentam aproveitar o ar dos tempos, aspirando a tornar-se os Trumps, Bolsonaros ou Salvinis lusitanos. Até prova em contrário, estas imitações de baixa qualidade parecem condenadas ao fracasso. Isso não significa, porém, que o país esteja livre de populismos da mesma espécie. Os riscos, porém, vêm de outras paragens, a mais óbvia das quais já é antiga, mas perdura por boas e más razões - o populismo territorial.

Premium

João Gobern

Navegar é preciso. Aventuras e Piqueniques

Uma leitura cruzada, à cata de outras realidades e acontecimentos, deixa-me diante de uma data que, confesso, chega e sobra para impressionar: na próxima semana - mais exatamente a 28 de novembro - cumpre-se meio século sobre a morte de Enid Blyton (1897-1968). Acontece que a controversa escritora inglesa, um daqueles exemplos que justifica a ideia que cabe na expressão "vícios privados, públicas virtudes", foi a minha primeira grande referência na aproximação aos livros. Com a ajuda das circunstâncias, é certo - uma doença, chata e "comprida", obrigou-me a um "repouso" de vários meses, longe da escola, dos recreios e dos amigos nos idos pré-históricos de 1966. Esse "retiro" foi mitigado em duas frentes: a chegada de um televisor para servir o agregado familiar - com direito a escalas militantes e fervorosas no Mundial de Futebol jogado em Inglaterra, mas sobretudo entregue a Eusébio e aos Magriços, e os livros dos Cinco (no original The Famous Five), nada menos do que 21, todos lidos nesse "período de convalescença", de um forma febril - o que, em concreto, nada a tinha que ver com a maleita.

Premium

Henrique Burnay

O momento Trump de Macron

Há uns bons anos atrás, durante uns dias, a quem pesquisasse, no Yahoo ou Google, já não me lembro, por "great French military victories" era sugerido se não quereria antes dizer "great French military defeats". A brincadeira de algum hacker com sentido de ironia histórica foi mais ou menos repetida há dias, só que desta vez pelo presidente dos Estados Unidos, depois de Macron ter dito a frase mais grave que podia dizer sobre a defesa europeia. Ao contrário do hacker de há uns anos, porém, nem o presidente francês nem Donald Trump parecem ter querido fazer humor ou, mais grave, percebido a História e o presente.

Premium

Ruy Castro

Um Vinicius que você não conheceu

Foi em dezembro de 1967 ou janeiro de 1968. Toquei a campainha da casa na Gávea, bairro delicioso do Rio, onde morava Vinicius de Moraes. Vinicius, você sabe: o poeta, o compositor, o letrista, o showman, o diplomata, o boémio, o apaixonado, o homem do mundo. Ia entrevistá-lo para a Manchete, revista em que eu trabalhava. Um empregado me conduziu à sala e mandou esperar. De repente, passaram por mim, vindas lá de dentro, duas estagiárias de jornal ou, talvez, estudantes de jornalismo - lindas de morrer, usando perturbadoras minissaias (era a moda na época), sobraçando livros ou um caderno de anotações, rindo muito, e foram embora. E só então Vinicius apareceu e me disse olá. Vestia a sua tradicional camisa preta, existencialista, de malha, arregaçada nos cotovelos, a calça cor de gelo, os sapatos sem meias - e cheirava a talco ou sabonete, como se tivesse acabado de sair do banho.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Dispensar o real

A minha mãe levou muito a sério aquele slogan dos anos 1970 que há quem atribua a Alexandre O'Neill - "Há sempre um Portugal desconhecido que espera por si" - e todos os domingos nos metia no carro para conhecermos o país, visitando igrejas, monumentos, jardins e museus e brindando-nos no final com um lanche em que provávamos a doçaria típica da região (cavacas nas Caldas, pastéis em Tentúgal). Conheci Santarém muito antes de ser a "Capital do Gótico" e a Capela dos Ossos foi o meu primeiro filme de terror.

Premium

Adriano Moreira

Entre a arrogância e o risco

Quando foi assinada a paz, pondo fim à guerra de 1914-1918, consta que um general do Estado-Maior Alemão terá dito que não se tratava de um tratado de paz mas sim de um armistício para 20 anos. Dito ou criado pelo comentarismo que rodeia sempre acontecimentos desta natureza, o facto é que 20 anos depois tivemos a guerra de 1939-1945. O infeliz Stefan Zweig, que pareceu antever a crise de que o Brasil parece decidido a ensaiar um remédio mal explicado para aquela em que se encontra, escreveu no seu diário, em 3 de setembro de 1939, que a nova guerra seria "mil vezes pior do que em 1914".