Calor: sábado foi o dia do verão com mais mortes

Morreram mais de 310 pessoas no país no dia mais quente do ano, um terço das quais na região de Lisboa. Alerta de saúde continua no vermelho e este domingo deve ficar acima dos números de ontem

Sábado foi o dia com mais mortes em Portugal neste verão. No dia mais quente do ano morreram mais de 310 pessoas no país - mais 40 do que no sábado anterior, quando não estávamos na vaga de calor -, um terço das quais na região de Lisboa e na maioria dos casos com mais de 70 anos, mostra a plataforma que publica os certificados de óbito emitidos por dia. Dados que parecem confirmar os alertas das autoridades de saúde, que continuam a prever consequências graves em termos de mortalidade associadas ao calor.

O índice de alerta Ícaro, que mede os efeitos das temperaturas na saúde numa escala que vai do zero ao 16, está este domingo no nível 12. Sendo que a partir do nível cinco, os especialistas do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) já esperam consequências graves em termos de mortalidade. O índice começou a aumentar no dia 2 até atingir hoje o ponto mais alto, sendo de prever que baixe na segunda-feira mas ainda se mantenha no vermelho.

Receios que parecem ser confirmados quando se analisam os dados do Sistema de Informação dos Certificados de Óbito. Se na sexta-feira, em que as temperaturas bateram máximos históricos em oito estações meteorológicas, já tinham sido declaradas 288 mortes, o número mais elevado na comparação com os outros dias 2 de agosto dos últimos dez anos, no sábado esse número subiu ainda mais, em especial na região de Lisboa e Vale do Tejo.

Hoje, até às 16.00, já tinham sido declarados 226 óbitos, mais do que no sábado à mesma hora

No dia em que 40% do país registou recordes de calor morreram pelo menos 314 pessoas (os dados ainda estão ser atualizados e podem subir), o valor mais alto desde o início oficial do verão e a caminho dos números registados a meio de junho. Em média, morrem 300 pessoas por dia em Portugal, e no dia 19 de junho morrerem 342, valor mais elevado desde o fim do inverno, época em que doenças como a gripe e complicações ligadas ao frio fazem subir ainda mais a mortalidade.

E a tendência pode agravar-se. Hoje, até às 16.00, já tinham sido declarados 252 óbitos, mais do que no sábado à mesma hora. Os próprios especialistas de saúde pública sublinham que só ao fim de dois a três dias se começam a notar aumentos na mortalidade relacionados com o calor.

Atenção a idosos sozinhos

Mas se será de prever uma relação entre o aumento da mortalidade no país por estes dias e a subida da temperatura, ainda não é possível determinar quantas mortes são consequência direta do calor. O DN tentou obter esclarecimentos da Direção Geral da Saúde sobre estes números, mas tal não foi possível até agora. Mas o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral de Familiar, embora saliente que ainda estamos de a falar de uma situação recente, admite que a mortalidade possa subir nestes dias.

Rui Nogueira, que é médico de família na região centro, salienta que é preciso ter uma atenção especial aos idosos, os mais afetados por grandes alterações nas temperaturas. "Os cuidados de saúde primários têm um papel importante nesta altura, não necessariamente para atendimentos nos centros de saúde, mas para localizar idosos que possam estar vulneráveis nas suas casas. O fim de semana pode ser mais complicado nesta situação, porque os serviços não estão a funcionar em pleno".

O fim de semana pode ser mais complicado nesta situação, porque os serviços não estão a funcionar em pleno

Uma das medidas de saúde pública que pode ter de ser tomada se esta situação se mantiver, segundo o médico, é encaminhar os idosos que estejam mais isolados para locais frescos, em escolas, quartéis de bombeiros ou mesmo para a casa de vizinhos. O Instituto do Mar e da Atmosfera ainda prevê que quase todo o país ainda esteja acima dos 30º nesta segunda-feira, mas as temperaturas devem começar a descer de forma acentuada a partir de terça-feira.

Até lá, as autoridades recomendam que se reforce a vigilância de idosos e doentes crónicos que vivem sozinhos, que se moderem as atividades ao ar livre e se tenha atenção aos alertas de saúde.

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