A nova moda dos milionários: comprar fósseis de dinossauros

Uma venda de um fóssil completo em 70%, de uma espécie quase desconhecida, a um comprador anónimo está a levantar protestos da comunidade científica

Comprar fósseis de dinossauros é a nova moda para os milionários. Como têm mais dinheiro que os museus e as instituições dedicadas à investigação, conseguem ficar com os esqueletos de dinossauros impedindo que sejam estudados, denunciaram alguns cientistas.

Este alerta surge na sequência de um negócio efetuado na semana passada em Paris quando um comprador anónimo pagou dois milhões de euros por um esqueleto de dinossauro, de uma espécie desconhecida, que estava completo em 70%. Uma percentagem muito alta para um animal que viveu há 154 milhões de anos.

Este negócio, liderado pela empresa Aguttes, não passou despercebida aos cientistas. A Sociedade de Paleontologia de Vertebrados, com sede em Bethesda (arredores de Washington, EUA) e que reúne mais de 2200 cientistas de todo o mundo tinha pedido à Aguttes para não vender este fóssil alegando que se trata de um exemplar "importante do ponto de vista científico". O que não era desconhecido pela empresa que no seu site refere ser este um "espetacular espécime que mostra inesperadas diferenças anatómicas em relação a outros grandes tetrápodes do Jurássico tardio, o que abre uma nova linha de investigação dado que o esqueleto está completo em 70%".

A questão é que esta linha prometedora para a investigação pode estar comprometida pois não é certo que o agora proprietário do fóssil deixe os cientistas estudarem o esqueleto. No entanto, a Aguttes já garantiu que o comprador vai emprestá-lo a um museu, mas não especificou qual.

Para já o que se sabe é que o animal era parecido com um alossaurio, um género de dinossauro parecido com os tiranossauros, que surgiam, em 1993, no filme Parque Jurássico, de Steven Spielberg. De resto, a criatura é um mistério pois só foi conhecida em 2013 quando foi descoberto um fóssil no estado de Wyoming (EUA). O nome dos paleontólogos que o desenterraram - uma operação legal - não foi revelado. Agora, a Aguttes só diz que é uma pessoa de nacionalidade britânica. Já a agência francesa de notícias France Press garante que é um "colecionador de arte francês".

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