50 anos depois, um astronauta da NASA apresentou demissão

Robb Kulin justificou a saída alegando motivos pessoais que não foram mencionados pela empresa

Pela primeira vez em 50 anos um astronauta da NASA renunciou ao cargo. Robb Kulin, de 34 anos, justificou a decisão por motivos pessoais.

Segundo a agência de notícias espanhola EFE, Kulin vai deixar a NASA na próxima sexta-feira, antes de terminar o programa de treinos no Centro Espacial Johnson, em Houston, no Texas. Em 2017 o jovem foi um dos 12 escolhidos entre cerca de 18,300 participantes para realizar um programa de treinos que permite embarcar em missões espaciais. No entanto, o astronauta decidiu deixar o programa a meio, alegando "motivos pessoais". Em declarações ao ​​​​​​Houston Chronicle , o porta-voz da NASA, Brandi Dean, não especificou os motivos por razões de privacidade, e informou que não haverá nenhum substituto para o lugar.

"Se realmente pudéssemos tentar ajudar as pessoas a compreenderem que as fronteiras são algo que criamos e não são naturais, acho que tornaríamos o mundo um lugar melhor", disse o astronauta em junho de 2017, durante uma conferência de imprensa que introduziu uma dúzia de candidatos a astronauta.

Pode ver no seguinte vídeo a apresentação da candidatura de Robb Kulin.

Kulin é natural de Anchorage, no Alasca, e possui um mestrado em ciência de materiais e um doutoramento em engenharia. Antes de ter sido escolhido pela NASA trabalhava desde 2011 como responsável de engenharia na fabricante aeroespacial SpaceX. Queria ser astronauta para poder voar na Falcon 9, que ajudou a conceber. Mais tarde ajudou a investigar uma falha no foguete. Anteriormente trabalhou como perfurador de gelo na Antártida e foi pescador comercial no Alasca.

"Todo o meu objetivo a sair disso, e eu diria que o objetivo da equipa era garantir que o Falcon 9 fosse o mais confiável e bem-sucedido possível para os parceiros comerciais da SpaceX, mas claro que também é muito importante para a tripulação voar naquele veículo. É algo que nos ajudou a crescer e a fortalecer-me enquanto engenheiro", disse Kulin em 2017.

A SpaceX, em parceria com a fabricante aeronáutica Boeing, está a desenvolver as primeiras cápsulas de tripulação comercial da NASA, que deverão ser lançadas já a partir de 2019.

Entre os módulos do programa de captação dos astronautas constam os sistemas da Estação Espacial Internacional (ISS), técnicas de caminhada na ausência de gravidade, robótica e preparação do voo, bem como a língua russa (fundamental para uma expedição na ISS) e um treino militar de sobrevivência. Os treinos são muito rigorosos e chegam a durar mais de cinco anos. Nem todos conseguem terminar o percurso com sucesso.

Os Estados Unidos estão a planear a instalação de uma plataforma orbital na Lua e o envio de uma missão tripulada a Marte, que, segundo o vice-presidente Mike Pence, vai permitir "escrever o próximo grande capítulo" da história espacial, já sem Kulin entre os protagonistas.

As demissões na NASA não são inéditas. De acordo com o CNET , em 1968 o astronauta e químico John Llewellyn, que integrou o sexto grupo de aprendizes da época, deixou o programa um ano depois de ter sido selecionado, ao perceber que não estava a evoluir como era suposto, e, logo, não estava pronto para voar ao serviço da agência.

Ler mais

Premium

DN Life

DN Life. «Não se trata o cancro ou as bactérias só com a mente. Eles estão a borrifar-se para o placebo»

O efeito placebo continua a gerar discussão entre a comunidade científica e médica. Um novo estudo sugere que há traços de personalidade mais suscetíveis de reagir com sucesso ao referido efeito. O reumatologista José António Pereira da Silva discorda da necessidade de definir personalidades favoráveis ao placebo e vai mais longe ao afirmar que "não há qualquer hipótese ética de usar o efeito placebo abertamente".