Obra de arte em galeria lisboeta mobiliza polícia, bombeiros e INEM

Meios de socorro foram chamados por duas vezes, nesta segunda-feira, para acudir ao que parecia ser uma pessoa tombada no chão, numa montra. Mas trata-se de uma peça artística

A polícia, os bombeiros e o INEM foram chamados por duas vezes à Calçada do Correio Velho, em Lisboa, por transeuntes que julgaram ver uma pessoa inanimada no chão, por detrás de uma vitrina. Na verdade, trata-se de uma instalação artística que está patente numa galeria de arte - a figura que está caída no chão, rodeada de sacos, é um boneco. Mas isso não impediu a deslocação de meios de socorro para o local.

Os sapadores bombeiros de Lisboa confirmaram ao DN que, nesta segunda-feira, foram chamados por duas vezes à Calçada do Correio Velho, situada nas imediações da Sé de Lisboa, na freguesia lisboeta de Santa Maria Maior. O INEM confirma igualmente o "acionamento de uma mota de emergência médica" para a mesma morada, também na tarde de segunda-feira. Mas o Facebook da Porta 14, a galeria onde está patente a instalação, mostra também uma ambulância do Instituto Nacional de Emergência Médica à porta e refere uma "intervenção da polícia, dos bombeiros e do INEM" às 00.25 do dia 20 de maio (segunda-feira). "A obra de arte 'Alvará / Permit' de Noé Sendas cria perplexidade, urgência e alarme", acrescenta o post publicado na rede social.

Na tarde desta terça-feira, a instalação, da autoria do artista Noé Sendas, estava já tapada por duas placas de esferovite, que escondiam a figura caída no chão. "Tapámos a peça para não haver mais alertas", diz ao DN Pedro Pacheco, dono da galeria, explicando que a instalação em causa "tem uma figura tombada, que é um boneco, mas que é muito realista". Quem passa "confunde" a figura com uma pessoa e chama socorro, diz o galerista, acrescentando que também houve quem começasse a "bater violentamente no vidro", a tentar despertar o que parece ser uma mulher inanimada.

Pedro Pacheco refere que, junto à instalação, é visível o nome do artista e da peça. E, entretanto, foi acrescentada ao conjunto a frase "Isto é arte", mas sem grandes consequências práticas. "A polícia pediu-nos para pôr um texto mais explícito" e é isso que a galeria se prepara agora para fazer. "Isto é uma obra de arte, queremos que haja uma relação com o público, mas não queremos que isto aconteça, a ideia não é esta", diz o galerista, antes de concluir: "Está a acontecer, temos que resolver o problema".

O DN questionou também a PSP sobre as deslocações ao local e qual a ação das autoridades nestes casos, mas não obteve resposta em tempo útil.

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