Gatos podem ser infetados por covid-19. Cães parecem resistir ao vírus

É o resultado de um estudo publicado na revista Science. Atenção: os animais foram infetados de propósito para servirem de cobaia a uma possível vacina. Veterinário alerta que o vírus pode ficar na pele do animal.

Os gatos podem ser infetados com o novo coronavírus, mas os cães parecem não ser tão vulneráveis à doença provocada pelo SARS-CoV-2. São as conclusões de um estudo publicado esta quarta-feira na revista Science, e que já levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a anunciar que irá investigar melhor a possibilidade de transmissão do vírus entre humanos e animais de estimação.

A investigação descobriu ainda que os furões também podem ser infetados com o vírus. Por outro lado, cães, galinhas, porcos e patos não parecem ser tão suscetíveis à infeção.

O objetivo do estudo foi descobrir quais são os animais mais vulneráveis a contrair a doença covid-19, para que possam vir a ser usados como cobaias em vacinas experimentais contra a mesma.

No entanto, não há motivo para pânico: só existem ainda alguns casos registados na natureza de cães e gatos que contraíram o vírus, e os que fizeram parte do estudo foram infetados propositadamente pelos cientistas.

Até ao momento, não há provas científicas suficientemente fortes que levem os investigadores a considerar que os animais de estimação possam ser portadores da doença e transmiti-la aos humanos. No entanto, também não há provas irrefutáveis do contrário.

"Às vezes, por mutação, os vírus dos animais passam a chamada barreira interespécie - que foi o que aconteceu com o SARS-CoV-2 - ou por acidente, ou por manipulação, não sabemos, mas isso é muito raro", começa por explicar ao DN o veterinário Alfredo Chambel.

"O gato pode transmitir o vírus da mesma forma que um tapete o pode fazer"

"Este vírus é particularmente mutante - o vírus que começou na China já não é exatamente aquele que está cá, porque sofreu mutações", sublinha o veterinário, que explica como os vírus dos gatos são "altamente agressivos", nomeadamente o que provoca uma doença chamada peritonite infecciosa felina.

Contudo, são também vírus "muitos estáveis". "Não há registos de que alguma vez tenham passado para os humanos", refere.

Mas se há algo que aprendemos com a pandemia de covid-19 é a de que aquilo que parece altamente improvável de vir a acontecer pode tornar-se realidade. "Não era suposto que um vírus de um animal selvagem tivesse passado para o ser humano", diz Alfredo Chambel.

"O que sabemos é que o vírus pode ser transmitido por contacto. Nos atos médicos que pratico não toco em gatos - nem em cães - sem ser de luvas, porque o coronavírus pode estar na pele do animal e a próxima pessoa a fazer uma festa ao gato ou ao cão pode ficar infetada", diz o veterinário.

Alfredo Chambel diz que, ainda assim, não há motivo para as pessoas entrarem em pânico com a possibilidade de contágio através do seu animal de estimação.

"É preciso ter cuidado, seguir as recomendações das autoridades: fazer passeios curtos, limpar as patas dos animais após chegar da rua. Os gatos não vão ficar infetados nem espirrar para cima das pessoas. Um gato pode transmitir o coronavírus da mesma forma que um tapete ou um sofá o pode fazer", resume o veterinário.

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