Foram detetadas cerca de 9 mil crianças em risco de maus tratos

A maioria dos casos são por negligência e desde 2010 que os números continuam a subir.

São as conclusões do último relatório da Direção-Geral de Saúde sobre Saúde Infantil e Juvenil e estabelecem um recorde. Por negligência, mas também sobre suspeitas de abuso sexual e maus tratos físicos. Só em 2016, o ano com estatísticas mais recentes, foram detetados cerca de 9 mil casos de crianças em situação de risco de maus tratos pelas cerca de três centenas de Núcleos de Apoio a Crianças e Jovens em Risco existentes nos hospitais e centros de saúde.

Em quase dez anos, altura em que se estreavam, estes núcleos registaram um total de cerca de 50 mil situações de risco de maus tratos e um "aumento do número de crianças sinalizadas na rede". As estatísticas mais recentes relatam uma subida quase contínua entre 2010 e 2016, passando de 3551 casos para 8927, respetivamente.

As causas são variadas, mas a negligência continua a ser a maior causa assinalada para os casos registados em 2016, com uma representação de 67% da totalidade destes. Seguem-se os maus tratos psicológicos (20%), físicos (7%) e suspeitas de abuso sexual (6%).

Em declarações à TSF, o presidente da Comissão Nacional de Saúde Materna, da Criança e do Adolescente diz estar preocupado com os números e admite que os mesmos revelam que é necessária uma atuação junto das famílias e das escolas. Gonçalo Cordeiro Ferreira diz ainda que é preciso aprofundar o estudo destes casos.

O representante explica que "se tivéssemos menos crianças e estas fossem melhor tratadas, seria um aspeto minimamente positivo da baixa natalidade; o problema é que temos menos crianças e o tratamento dado a essas mesmas crianças nem sempre é o melhor, quer por negligência e cuidados a menos ou em alguns casos por excessos de ansiedade parental que também não deixa as crianças crescerem bem".

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