Exames: na frente, nada de novo

Duelo particular entre Academia de Santa Cecília e Colégio do Rosário. A primeira, de Lisboa, ganha no secundário; o segundo, do Porto, no básico.

Quando o critério é a média alcançada pelos alunos nos exames nacionais mais importantes, a regra é a que tem vigorado ao longo dos quase 20 anos de rankings: colégios privados nos primeiros lugares, com um lote restrito a revezar-se numa das dez primeiras posições, e escolas públicas a uma distância considerável dos lugares da frente.

Em 2018, de acordo com os rankings do DN, a Academia de Música de Santa Cecília, de Lisboa, manteve o primeiro lugar ao nível do ensino secundário, com os seus alunos a atingirem uma média de exame de 15,87 valores no conjunto de provas consideradas. Seguiram-se o Colégio de Nossa Senhora do Rosário, do Porto, e os Salesianos do Estoril.

A primeira escola pública nesta tabela, a Secundária Clara de Resende, do Porto, surge apenas na 33.ª posição geral, com 12,88 valores de média.

A Secundária Infanta D. Maria, de Coimbra, que há cerca de uma década chegou a intrometer-se entre as primeiras e a liderar em algumas disciplinas, aparece agora em segundo lugar no conjunto da rede estatal, na 40.ª posição geral, com 12,74 de média. Duas posições abaixo, em 42.º lugar, está a Secundária Eça de Queirós, na Póvoa de Varzim, a terceira melhor pública.

Entre as disciplinas mais concorridas nos exames do ensino secundário do ano passado, o Grande Colégio Universal, do Porto, conquistou a melhor média a Português, com 14,83 valores. A pior foi a Secundária D. Manuel Martins, de Setúbal, com apenas 7,43 valores de média.
Já na Matemática, o protagonismo foi para o Colégio Campo das Flores, de Setúbal, que chegou aos 16,72 valores de média. Quase o quádruplo dos 4,24 valores registados pelos alunos da Secundária de Alcácer do Sal, que fecha esta tabela. A Secundária Fonseca Benevides, de Lisboa, teve o pior desempenho global no conjunto dos exames do ensino secundário, com uns modestos 5,83 valores de média.

Por áreas geográficas (ver gráfico), confirma-se a tendência para o domínio dos distritos do Litoral face aos do Interior e às regiões autónomas. Só Braga e Coimbra conseguem médias acima dos 11 valores. Só Bragança, Portalegre, Madeira e Açores ficam abaixo da média de 10.


Ainda na batalha pelas primeiras posições dos rankings, Santa Cecília e Senhora do Rosário trocam de posições no ensino básico, onde é o colégio do Porto a liderar a tabela, com 4,52 (numa escala de 0 a 5) de média nas provas finais do 9.º ano. Numa luta feita às décimas, o Rosário lidera na média de Matemática, com 4,46 valores, enquanto Santa Cecília se revelou a mais forte no Português, chegando aos 4,63. Entre as públicas, a melhor classificação - e 20.ª posição da tabela geral - é alcançada pela Escola Básica do Porto da Cruz, com 4,09 valores.


A Escola Básica Integrada de Rabo de Peixe, dos Açores, fecha a tabela geral com uma média final de apenas 1,89 valores em cinco.

O que entra e não entra nestes rankings

Ao contrário do que sucede com os Percursos Diretos de Sucesso, em que os critérios são da responsabilidade do próprio Ministério da Educação, as "regras" relativas aos rankings com base nos exames nacionais do ensino secundário e nas provas finais do ensino básico são definidas pelos próprios órgãos de comunicação social, que recebem a informação através de uma base de dados do Júri Nacional de Exame sem qualquer tipo de tratamento. Assim, dependendo dos diferentes critérios adotados, os resultados podem ter algumas variações entre órgãos.
No que respeita ao DN, são considerados apenas os exames da 1.ª fase (1.ª época no caso das provas do básico), realizados por alunos internos - que frequentaram a escola ao longo do ano letivo. Para que a escola conste dos rankings, terão de ter sido realizados pelo menos 20 exames. O objetivo destas condicionantes é abarcar o maior número possível de escolas (pequenas e grandes) evitando, ao mesmo tempo, que sejam tidas em conta situações que podem distorcer os dados, como provas realizadas por alunos autopropostos e melhorias de nota.
No caso do ensino básico, são consideradas apenas as provas finais de Português e de Matemática, sendo feita uma média simples dos resultados dos alunos no conjunto das duas disciplinas. As provas de Inglês não são consideradas por incluírem uma componente oral que, em caso de falta do aluno, é classificada com zero pontos, afetando toda a média do mesmo e da própria escola.
No que respeita ao ensino secundário, são consideradas as provas de dezasseis disciplinas distintas. Ficam de fora os exames nacionais com menos inscritos a nível nacional, como por exemplo Latim. Mais uma vez, o objetivo é evitar que uma prova com poucos testes realizados possa distorcer os resultados de uma escola.

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