Estas são as doenças que o seu cão pode detetar

Da malária a vários tipos de cancro e, às vezes, apenas cheirando as suas peças de roupa, os cães podem ser uma arma no diagnóstico e na prevenção de doenças.

São animais de olfato sempre apurado, com capacidades que não assistem sequer aos humanos. Agora, vários cientistas tentaram ir mais longe e perceber as potencialidades do olfato canino como detetor de doenças. Alguns atrevem-se até a dizer que o seu melhor amigo pode ser bem mais fiável do que os testes convencionais. Estas são algumas das teorias já suportadas por investigadores, de acordo com o The Guardian.

Malária

Apenas por cheirar as suas meias, o seu cão pode detetar em si esta doença. Quem o garante é um grupo de cientistas que, na semana passada, lançaram um estudo onde demonstravam provas de que, mesmo ainda sem sintomas visíveis o olfato canino pode detetar malária ao cheirar estas peças de roupa de alguém portador da doença. A conclusão do estudo chegou após meses de treino, onde incluíram dois cães, um labrador e um labrador retriever.

A doença infecciosa, transmitida pela picada de mosquitos, é causada pelo parasita Plasmodium. Em entrevista ao The Guardian na semana passada, um entomologista em saúde pública (área da biologia que estuda os insetos e a sua relação com o homem, as plantas, os animais e o meio ambiente) recordava a evolução mundial na erradicação da doença, mas ainda há casos que merecem atenção. Como é exemplo a Venezuela, que de acordo dados divulgados este ano pela Organização Mundial de Saúde (OMS), é o país que regista maior aumento de casos de malária no mundo, ainda que tendo sido, entre 1950 e 1960, o primeiro capaz de erradicar a doença.

O especialista da Universidade de Durham, Steven Lindsay, alertou para o facto de a doença tanto se propagar muito rapidamente nas pessoas, como não se manifestar sequer através de sintomas óbvios. Nestes últimos casos, explica, a resposta pode mesmo estar no olfato canino. Através de odores específicos no hálito e na pele, os cães conseguiram detetar a doença em portadores da mesma.

Cancro da Próstata

No que toca a detetar cancro da próstata em humanos, os cães podem ser uma ajuda, sim, mas nem sempre conseguem estar certos. Em 2015, uma investigação levada a cabo por cientistas italianos tentou provar como dois pastores alemães poderiam detetar substâncias químicas ligadas a este tipo de cancro através de amostras de urina. Na verdade, os cães apenas conseguiram acertar em 90% dos casos. Ainda assim, os investigadores consideraram ser uma medida fiável, uma vez que o teste de sangue padrão PSA não é considerado fiável para rastrear a doença.

Este tipo de cancro é considerado o quarto mais comum, com 1,3 milhões de novos casos este ano, de acordo com a Agência Internacional para a Investigação do Cancro, da OMS. Ainda de acordo com a organização, um em cada cinco homens e uma em cada seis mulheres desenvolvem um tipo de cancro em alguma altura das suas vidas. Este ano, terão morrido cerca de 9,6 milhões de pessoas vítimas desta doença.

Diabetes

Responsável hoje em dia por cerca de 30% dos internamentos por enfarte e AVC, o número de diabéticos em Portugal é superior a um milhão, ainda que apenas 700 mil portadores da doença estejam efetivamente diagnosticados. Por ano, morrem por ano entre 2200 a 2500 mulheres e cerca de 1600 a 1900 homens por diabetes, de acordo com um estudo da Direção-Geral da Saúde.

Mas detetar os sintomas de diabetes nem sempre é fácil e pode variar de pessoa para pessoa. Aqui, a solução pode mesmo também ser o olfato dos cães, já utilizados para detetar se os níveis de açúcar no sangue estão altos ou baixos. Segundo o jornal britânico, a instituição Hypo Hounds dedica-se ao treino de cães para estarem aptos a detetar esta doença, verificando as mudanças de fôlego na respiração do dono ou cheirando o suor. Aqui, os cães podem ser mais fiáveis do que um monitor de glicose.

João Filipe Raposo, diretor clínico da Associação Protetora de Diabéticos de Portugal (APDP), Portugal tem dos melhores tratamentos do mundo, mas ainda falha na prevenção.

Doença de Parkinson

Ainda não é certo que estes animais consigam detetar a doenças, mas é nessa possibilidade que se apoiam investigadores da Universidade de Manchester, que estão a treinar cães para detetar Parkinson antes que os sintomas se manifestem.

O estudo teve como inspiração o caso de uma mulher que detetou a doença através do odor do marido, seis anos antes de lhe ser sequer diagnosticada.

Em setembro deste ano, foi anunciada a entrada de um novo medicamento em Portugal para a prevenção da doença. Designado Ongentys, o fármaco estava já disponível na Alemanha, Inglaterra e Espanha. Todos os anos, são identificados cerca de dois mil novos casos em Portugal, onde já existem 18 a 20 mil portadores da doença.

Cancro da mama

O cancro da mama é considerado o mais frequente entre o sexo feminino, bem como a principal causa de morte de mulheres entre os 35 e os 55 anos. Entre cinco a seis mil novos casos surgem todos os anos em Portugal. Apenas 5% a 10% destes casos provêm da genética, enquanto os restantes 90% têm causa exata desconhecida.

É contra estes números que os cães estão a ser treinados. Em Buckinghamshire, Reino Unido, o centro NHS são responsáveis por dar início a uma investigação, através da qual usam cães para detetarem a doença no hálito. Tal permitiria uma abordagem mais rápida na prevenção e, consequentemente, no tratamento.

Exclusivos

Premium

Legionela

Maioria das vítimas quer "alguma justiça" e indemnização do Estado

Cinco anos depois do surto de legionela que matou 12 pessoas e infetou mais de 400, em Vila Franca de Xira, a maioria das vítimas reclama por indemnização. "Queremos que se faça alguma justiça, porque nunca será completa", defende a associação das vítimas, no dia em que começa a fase de instrução do processo, no tribunal de Loures, que contempla apenas 73 casos.