DERM.AI, a aplicação que vai ajudar os médicos do SNS a diagnosticar o cancro da pele

O cancro da pele representa um terço dos cancro diagnosticados em Portugal. Esta aplicação propõe-se a facilitar o diagnóstico, acelerando o processo de tratamento.

DERM.AI é uma aplicação para smartphones (neste momento só disponível para Android) que pretende utilizar a Inteligência Artificial para potenciar o rastreio teledermatológico e acelerar o diagnóstico de cancro da pele. A inovação desta tecnologia é a melhoria da imagem captada pela câmara do telefone e a integração dos dados disponíveis no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Este é o primeiro ano de três do projeto destinado aos médicos de família realizado pelo centro de investigação Fraunhofer Portugal AICOS, no Porto, com a colaboração dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde. A aplicação começou a ser desenvolvida em 2012 [Melanomea Detection], mas entretanto foi melhorada e espera-se que os primeiros testes com o novo sistema possam começar em janeiro do próximo ano. "O rastreio teledermatológico já é uma realidade no nosso Serviço Nacional de Saúde, só que as imagens não tem qualidade. E como temos poucos dermatologistas no SNS as listas de espera podem ser grandes, isto vai acelerar o processo", indica Maria Vasconcelos, a investigadora responsável pelo projeto.

Como funciona?

Quando um médico de medicina geral e familiar de uma unidade de saúde primária desconfiar de um sinal do utente tira uma fotografia com a aplicação DERM.AI, preenche as informações clínicas fundamentais e envia tudo para uma triagem. Cada centro hospitalar ou região terá um dermatologista responsável por receber as imagens e analisá-las para depois reportar os resultados. Os primeiros casos a receberem atenção serão os selecionados pela aplicação como sendo prioritários.

O contributo da Inteligência Artificial

A Inteligência Artificial serve esta aplicação através de duas características: o algoritmo da câmara fotográfica e o que prioriza o risco na triagem.

A câmara do telefone deteta automaticamente o sinal e capta a imagem no momento em que esta se apresenta mais legível. "Os médicos tinham de ter cuidados com a imagem como ver se ela estava focada ou se tinha o tamanho ideal para ser aceite pelo sistema. Quando estamos a falar de sinais cutâneos só o simples facto de clicar para tirar a foto é suficiente para esta ficar desfocada. O nosso sistema coloca o sinal no centro do visor e a foto é automaticamente adquirida. Ao mesmo tempo, a foto que é guardada tem o tamanho ideal para ser incluída no sistema", explica Maria Vasconcelos.

Por outro lado, a integração dos dados do Sistema Nacional de Saúde vai permitir à plataforma conhecer um leque mais abrangente de diagnósticos de cancro da pele já efetuadose a partir dessas características criar uma hierarquia nos casos que os dermatologistas têm por analisar. "Funciona como um sistema de apoio à decisão que prioritiza o nível de risco dos casos enviados para o serviço de dermatologia".

Cancro da pele em Portugal

O cancro da pele representa um terço dos cancros diagnosticados em Portugal; afeta uma em cada sete pessoas. Segundo, a Associação Portuguesa do Cancro Cutâneo em 2017 foram diagnosticados cerca de 12 mil novos casos, sendo que destes mil correspondem ao tipo de cancro da pele mais perigoso - o melanoma.

O DERM.AI pretende contribuir para a aceleração do diagnóstico, que por sua vez abre caminho a um tratamento mais eficaz e à diminuição da taxa de mortalidade por cancro da pele.

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