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David Marçal: "Cientistas portugueses fazem omeletes com muito menos ovos"

A taxa de fecundidade das cientistas portuguesas é menor do que a das mulheres em geral. E isso deve-se à precariedade dos empregos na ciência, um segredo mal guardado que o cientista, escritor e comunicador David Marçal retrata no livro Cientistas Portugueses, editado pela FFMS. O livro é lançado esta quarta-feira em Coimbra.

Este seu livro é sobre algo de que quase nunca se fala - a situação laboral dos cientistas portugueses. Porque teve a ideia de fazê-lo?
Precisamente por isso. Por achar que a realidade dos cientistas é mal representada no espaço público. Aquilo a que as pessoas têm habitualmente acesso são histórias de cientistas em situações de grande reconhecimento social, quando ganham um prémio, um financiamento avultado ou publicam um artigo numa das revista científicas mais conhecidas. Isso é importante, mas não é a história toda. Mesmo esses que aparecem na televisão em momentos de luz, podem ter uma situação laboral muito distante daquilo que imaginamos.

Por exemplo?
Podem, por exemplo, estar a braços com contratos que acabam e candidaturas para assegurar o rendimento mensal. Há também uma questão de oportunidade neste livro: a ciência teve um crescimento muito grande em Portugal nas últimas duas décadas, e houve um grande aumento do número de doutoramentos e de investigadores. Com isso criou-se uma situação nova: doutorados que têm muito poucas perspectivas de integração nos quadros das instituições de ensino superior. Há cada vez mais contratações precárias, como as bolsas de investigação (que é a mais precária de todas) e os contratos de trabalho a prazo. Este livro procura fazer um retrato desta realidade relativamente recente dos investigadores em Portugal. Há hoje um acesso mais democratizado à investigação científica, mas o estatuto profissional e social da maioria dos investigadores diminuiu.

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