Coronavírus. Truques para evitar tocar na cara

Tão importante como o hábito de higiene de lavar as mãos está uma medida que parece simples, mas difícil de cumprir porque é muito habitual: não tocar na cara. Mas como é que deixamos de fazer algo de que nem nos damos conta?

"Ora bem, somos todos afetivos, que nos beijamos imenso e abraçamos imenso. Ao longo do dia abraçamos e beijamos variadíssimas pessoas. É um hábito. Nestas alturas devemos ter alguma contenção nestes atos físicos diretos. Estamos a pedir medidas de bom senso", disse a diretora-geral da saúde, Graça Freitas, na semana passada, em mais uma conferência de imprensa para dar conta da evolução do Covid-19 em Portugal.

Também explicou que uma das medidas mais importantes para evitar o contágio e transmissão do vírus é a lavagem frequente das mãos. Tão importante como este simples hábito de higiene está uma medida que parece simples, mas difícil de cumprir porque é muito habitual: não tocar na cara.

Porque é que não devemos tocar na cara?

Tocamos em muitas superfícies durante o dia - em maçanetas de portas, botões de elevador, nas barras do metro e autocarro - e sabe-se que o novo coronavírus pode permanecer durante muito tempo nestes locais.

De um momento para o outro, as mãos e os dedos - contaminados - tocam no nariz, olhos ou boca, que são uma porta de entrada para o vírus.

O Covid-19 despertou-nos para a quantidade de vezes que levamos as mãos ao rosto, lembra o New York Times. "É um hábito muito difícil de romper, porque todos o fazemos e muitas vezes nem nos damos conta", diz Vanessa Raabe, professora assistente do departamento de medicina da NYU Langone Health, citada pelo jornal. O que é que podemos fazer para alterar este hábito?

Ter um pacote (ou caixa) de lenços de papel ajuda

Antes de coçar o nariz - ou qualquer parte do rosto, ou antes de ajeitar as hastes dos óculos, use um lenço de papel e faça-o com a mão protegida.

Sempre que lhe apetecer espirrar e na impossibilidade de o fazer para um lenço, faça-o para a parte interna do cotovelo e nunca para a mão. Este tem sido os conselhos dos especialistas - estamos em fase de contenção, que significa diminuir o contágio para que o vírus chegue ao menor número de pessoas.

Preste atenção aos gestos habituais

Um outro especialista em saúde ouvido pelo NYT sugere que cada pessoa "preste atenção aos gatilhos". O objetivo é tirar um momento no dia para identificar aquilo que nos leva a levar a mão à cara.

Se esfregamos os olhos porque estão secos, podemos aplicar gotas, se usamos lentes de contacto esta era uma boa altura para as trocarmos por óculos e se temos o hábito de apoiar o queixo na mão ou de tirar o cabelo do rosto, devíamos deixar de o fazer. Sobretudo agora. Principalmente se não lavámos as mãos.

"Embora as máscaras não sejam muito eficazes para impedir a transmissão do vírus, podem ser bastante úteis para fornecer uma barreira física contra os toques no nariz ou na boca", lembra Justin Ko, professor de dermatologia da Stanford Health. Tem medo de se esquecer e repetir estes gestos tão habituais? Post-its em casa ou no local de trabalho podem ajudar como lembretes.

Ocupar as mãos é uma boa ideia

Se o objetivo é não levar as mãos ao rosto, mantê-las ocupadas é uma ótima estratégia. Ou apertando uma bola de stress (que deverá desinfetar regularmente), ou adiantando tarefas, como o envio de emails. Se nada tem a fazer, pode enlaçar os dedos e repousar as mãos no colo. Qualquer truque para as manter afastadas do rosto serve.

Uma dica que o NYT partilha é a de usar uma loção com perfume nas mãos: sempre que as levar ao rosto vai sentir o odor e lembrar-se que não o deveria fazer.

Esta é uma dica usada até pelo presidente dos EUA, Donald Trump. "Não toco na minha cara há semanas. Semanas! Sinto falta", confessou Trump na quarta-feira.

É preciso ter calma

Não vale a pena entrar em pânico, até porque o stress diminui a capacidade do organismo combater uma infeção e a causada pelo novo coronavírus não é diferente.

"O meu conselho geral seria para que as pessoas tentassem reduzir o stress em vez de se preocuparem obsessivamente com aquilo em que tocam", diz Stew Shankman, professor de psiquiatria e ciências comportamentais da Northwestern University.

"Quanto mais stressado, menor a capacidade do corpo em combater infeções", recorda o médico, que aconselha a adoção de rituais como o uso de um elástico no pulso, para nos lembrar que não devemos tocar no rosto.

Mais Notícias

Outros conteúdos GMG