Robert Rayford. A primeira vítima de sida morreu há 50 anos. Mas ninguém soube de quê

Durante quase duas décadas o caso do jovem americano que morreu aos 16 anos de doença desconhecida manteve-se um mistério. Amostras que os médicos conservaram apontaram mais tarde para infeção por VIH

Robert Rayford tinha 16 anos quando morreu, em St. Louis, nos Estados Unidos, de uma doença misteriosa, que os médicos nunca tinham visto antes.

O jovem afro-americano sofria de infeções sucessivas, tinha lesões cancerosas na pele conhecidas como sarcoma de Kaposi, que só se conheciam, na altura, associadas a homens idosos de origem mediterrânica.

Robert acabou por falecer na sequência de uma pneumonia. Mas a particularidade que mais intrigou os médicos foi a aparente incapacidade do seu sistema imunitário de combater a mais pequena infeção.

Adivinhando que um dia isso poderia ser útil ao conhecimento médico e científico, os médicos que cuidaram dele guardaram amostras de alguns tecidos, e embora a certeza a 100% seja difícil, tudo aponta para que o jovem tivesse sida, embora nunca se tenha esclarecido como poderá ter sido contagiado.

Teriam de passar quase 15 anos para começarem a surgir, a partir de 1981, nos Estados Unidos, casos semelhantes ao de Robert Rayford, em que os doentes eram maioritariamente homens homossexuais. Era o início da epidemia de sida, causada pelo vírus VIH, que rapidamente alastrou e se tornou uma pandemia, e que até hoje já infetou mais de 77 milhões de pessoas, das quais 35,4 milhões morreram da doença.

A investigação nas últimas décadas permitiu descobrir a origem da doença, as formas de contágio e sua prevenção, e paralelamente assistiu-se ao desenvolvimento de medicamentos antirretrovirais cada vez mais eficazes, que tornaram a sida uma doença crónica, quando o tratamento é seguido escrupulosamente.

Hoje, Robert Rayford é visto geralmente como o primeiro doente que morreu com sida nos Estados Unidos, embora nem todos estejam completamente convencidos disso, como assinala o The Washington Post.

Os testes que foram feitos aos tecidos recolhidos pelos médicos parecem indicar esse diagnóstico, mas seriam necessários agora novas análises, mais refinadas, para fazer essa confirmação. Algo que já não possível, segundo o The Washington Post, porque as amostras se perderam em 2005, na devastação causada pelo furacão Katrina.

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