À venda cartas de Einstein em que ele fala do filho e da loucura de Hitler

As cartas, que datam de 1921 até 1939, esta quarta-feira a leilão nos Estados Unidos. Nelas o físico fala das atrocidades do regime nazi contra os judeus, mas também da sua vida pessoal, e do filho, que sofria de esquizofrenia

São os pensamentos de um dos homens que mais influenciaram o século XX, com a nova teoria da relatividade que revolucionou a física e a ciência, e com a sua forma de estar humanista, exemplo para muitos. No conjunto de cartas que hoje vai a leilão, nos Estados Unidos, Einstein fala das pequenas coisas da vida, das suas viagens para dar conferências, do dinheiro necessário para pagar os tratamentos do filho doente, com esquizofrenia, e também da "loucura de Hitler", da perseguição aos judeus e da necessidade de resistência.

Esta não é primeira vez que cartas e outros textos mais pessoais escritos pelo punho de Eistein vão a leilão. Ainda em dezembro Isso aconteceu, com o seu célebre texto "Carta a Deus".

Escritas entre 1921 e 1939, ainda antes da guerra, entre outros à irmã, Maja, à primeira mulher, Mileva, ou ainda ao seu colega e amigo Maurice Lenz, as cartas que hoje serão leiloadas revelam um homem atento e preocupado com o seu tempo.

Na carta à irmã, de 1921, Einstein enumera as cidades europeias nas quais tem conferências programadas e explica que "era suposto" ir também a Munique, mas que não o fará. "Não vou fazê-lo porque isso colocaria a minha vida em risco" - o físico refere-se ao antissemitismo que já despontava na Alemanha.

Na carta à primeira mulher, Mileva, enviada dos Estados Unidos, e datada de 1934, Einstein mostra-se "imensamente feliz" por ter recebido notícias dela e fala de "esperança" acerca de uns artigos que ela lhe terá enviado, e que lhe "dão esperança" "num resultado bem-sucedido" numa experiência que não especifica.

Depois disso fala então do filho e do dinheiro para o seu cuidado, explicando naquele preciso momento se vê obrigado a restringir gastos, sendo que isso "é o resultado da loucura de Hitler, que arruinou completamente as vidas de todos os que me rodeiam", explica ele a Mileva.

Resistência à perseguição nazi

Numa terceira carta do conjunto que hoje vai a leilão (esta escrita à máquina), datada de Junho de 1939, Einstein felicita Maurice Lenz, que vive em Nova Iorque, pelo seu "esplêndido trabalho em prol dos refugiados", que fugiam ao extermínio por parte dos nazis. "O poder da resistência que permitiu ao povo judeu sobreviver ao longo de milhares de anos tem-se baseado em grande parte na ajuda mútua", escreve o físico. E continua: "Nestes anos de aflição a nossa prontidão em ajudarmo-nos mutuamente enfrenta um teste especialmente severo. Não temos outros meio de autodefesa que não seja a nossa solidariedade e a noção de que a causa pela qual sofremos é sagrada", sublinhando "a importante contribuição" de Maurice Lenz, em "dar refúgio" aos judeus perseguidos que conseguiram escapar da Alemanha.

A base de licitação destas cartas é de 12 mil dólares para duas delas, e 25 mil dólares uma outra, mas é bem possível que os valores finais acabem por ser muito mais altos, como já aconteceu com outra documentação do físico anteriormente leiloada.

Nascido em Ulm, na Alemanha, em março de 1879, Albert Einstein mudou-se para a Suíça, onde viveu e viveu até 1914, vindo a renunciar à cidadania alemã em 1896. Até 1901, foi apátrida, tornando-se suíço a partir desse ano. Depois de 1914 mudou-se para Berlim, onde foi professor durante alguns anos, mas como refere na carta à irmã, em 1921 já não se sentia ali seguro. Einstein estava de visita aos Estados Unidos quando Hitler subiu ao poder, em 1933. Nunca mais pisou solo alemão.

Exclusivos

Premium

Legionela

Maioria das vítimas quer "alguma justiça" e indemnização do Estado

Cinco anos depois do surto de legionela que matou 12 pessoas e infetou mais de 400, em Vila Franca de Xira, a maioria das vítimas reclama por indemnização. "Queremos que se faça alguma justiça, porque nunca será completa", defende a associação das vítimas, no dia em que começa a fase de instrução do processo, no tribunal de Loures, que contempla apenas 73 casos.