A nova atração turística no Uganda? As "curvas das mulheres", diz o governo

Governo ugandês lançou a campanha "Miss Curvy Uganda" para atrair mais turistas ao país. As reações não se fizeram esperar. Numa rara aliança, Igreja, ativistas dos direitos humanos e organizações de mulheres são contra

Sem rodeios nem hesitações, a campanha foi lançada esta quinta-feira pelo ministro do turismo do Uganda Gopdfrey Kiwanda, na capital do país. "Temos mulheres bonitas naturalmente dotadas para quem é fantástico olhar, porque não usá-las como estratégia para promover a indústria turística?", disse o ministro na conferência de imprensa em que divulgou a campanha, enquanto olhava em volta na sala, para exemplificar nas mulheres presentes a confirmação das suas palavras, relata a imprensa internacional.

A campanha surge na sequência da conquista da representante ugandesa do título de Miss África na final do concurso Miss Mundo, que foi disputada, em dezembro, na China.

A beleza de Quinn Abenakyo, a jovem representante do Uganda no concurso, mereceu a escolha do júri como representante do continente africano, e o governo ugandês decidiu nomeá-la "embaixadora do turismo", propondo-lhe um périplo internacional para promover o país, que Quinn Abenakyo acabou por não aceitar.

O concurso Miss Curvy Uganda pretende levar a ideia mais longe. O objetivo da campanha agora lançada é encontrar jovens ugandesas que preencham os tais requisitos das curvas e que possam mostrar a quem chega as belezas do país, para além das paisagens e da natureza selvagem.

Como seria de esperar, as reações foram imediatas e, justificadamente, revoltadas. Como a da deputada ugandesa e membro da Associação das Mulheres Deputadas do Uganda (UWOPA, na sigla em inglês) Winnie Kizza, que exigiu um pedido de desculpas ao ministro.

"As mulheres não são uma atração turística, não são um objeto de prazer e não são um projeto de fazer dinheiro", disse a deputada, que foi apenas uma das vozes no coro de críticas.

Na mesma linha, Rita Achiro, da Rede de Mulheres do Uganda, uma organização dos direitos da mulheres, afirmou por seu turno que "usar uma mulher para promover um produto e usar uma mulher como produto são duas coisas diferentes, e a ideia de promover mulheres como atração turística pertence à segunda categoria".

A Igreja também não ficou indiferente. Numa declaração no Facebook, o arcebispo da Igreja do Uganda, Stanley Ntagali condenou a iniciativa, afirmando que o concurso "põe em causa a dignidade da mulher".E conclui: "A apresentação de um tal programa é demonstrativo de quão baixo o país caiu. Não podemos aceitá-lo e insistimos que seja cancelado".

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