A inflação abrandou, mas poucochinho - e cai a muito menor velocidade do que na zona euro, aumentando para mais de 1% a distância entre a perda de poder de compra dos portugueses e a dos demais utilizadores do euro..A carga fiscal subiu para um recorde - o segundo consecutivo - de 36,4% do PIB, numa escalada notável das receitas do Estado à custa dos impostos pagos sobre os rendimentos. No total do ano, Costa e Medina arrecadaram perto de 90 mil milhões de euros, mais 15 mil milhões do que há um ano, onde pesa um valor recolhido em IRS 12,8% superior ao de 2021 e uma receita de IRC 60% acima, ultrapassando até os valores pré-pandemia..Traduzindo por miúdos, pessoas e empresas em Portugal estão a perder a muitas vias..Por um lado, veem encolher os seus rendimentos à boleia de uma inflação a que o governo tardou em dar resposta, permitindo que este imposto encapotado fosse queimando almofadas e poupanças e que o efeito alastrasse a toda a cadeia de valor dos produtos, antes de se decidir por uma ação pífia, suportada em subsídios de efeito lento e medíocre e em cheques avulsos. E porque as medidas agora cozinhadas pelo BCE não têm sido capazes de aplacar a subida de preços no país com a mesma eficácia do efeito obtido noutros países do euro, acabam por apenas dificultar ainda mais a vida das pessoas, que veem os juros dos seus empréstimos subir a todo o gás, e das empresas, obrigadas a repensar investimentos e planos de expansão suportados em crédito..Por outro lado, além de lhes ser subtraída uma importante fatia dos rendimentos - do trabalho desempenhado, dos produtos fabricados, das vendas conseguidas - logo no momento de os receber, pessoas e empresas são aqui múltiplas vezes penalizadas. São castigadas com vorazes impostos sobre o consumo (e todos os outros, das derramas que punem as companhias aos impostos especiais cobrados aos consumidores), que taxam não apenas o consumidor final mas também os negócios - na energia, nos combustíveis, na compra de matérias-primas... Mas que, para o Estado, representam um nível de riqueza de que este governo não tem revelado a menor vontade de abdicar. Quanto dos perto de 23 mil milhões de euros de IVA acumulados pelo Fisco neste ano recorde terão vindo da cobrança de 23% sobre um bem essencial como a energia?.Com uma inflação mais persistente e mais enraizada na economia e uma carga fiscal sem precedentes, Portugal segue assim no rumo traçado pelo governo socialista e por ele enaltecido mesmo quando engrossa o coro de vozes que alertam para o limite da resistência de um país sem rumo ou políticas públicas dignas desse nome, massacrado por impostos e por uma maioria absoluta enfraquecida pela incapacidade executiva e pela falta de vergonha com que gera disputas na economia e na sociedade para distrair o povo do maior cúmulo de sempre de casos e casinhos.."Temos cumprido, um por um, aqueles que eram os objetivos que fixámos, e assim continuaremos", ameaçou ontem Mariana Vieira da Silva. E seguiu, alegre e convicta, ecoando a voz do mestre, a garantir que o governo trabalha para "garantir que a economia tem condições para crescer, que todos os desafios que se colocam têm resposta específica", que as medidas tomadas visam "os que mais precisam, protegem os mais vulneráveis e vão reforçar áreas como habitação, saúde ou educação"..Com um governo destes, a economia não precisa de inimigos.