Turismo. Setembro deu 1,4 milhões de hóspedes ao alojamento, menos 43% que em agosto

A estimativa rápida do INE indica que o alojamento turístico terá contado com 1,4 milhões de hóspedes e 3,6 milhões de dormidas, quebras de mais de 40% face a agosto e de mais de 50% face ao período homólogo. A atividade turística não recuperou em setembro.
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O mês de setembro terá registado uma quebra tanto em cadeia como homóloga em termos de hóspedes e dormidas. O alojamento turístico terá contado com 1,4 milhões de hóspedes e 3,6 milhões de dormidas, menos 43,2% em termos de hóspedes e menos 47,1% face a agosto. A comparação com o mês de setembro de 2019 ilustra uma diminuição ainda mais significativa. Em termos hóspedes a queda é de 52,2% e nas dormidas é de 53,4%, de acordo com a estimativa rápida do INE, divulgada esta quinta-feira, 29 de outubro.

Em agosto, mostra a última leitura do gabinete de estatística, o número de hóspedes nas unidades de alojamento ascendeu a quase 1,9 milhões e as dormidas foram de pouco mais de cinco milhões. Com destaque para o papel dos residentes, que foram os principais ocupantes das unidades de alojamento turístico em Portugal.

Com a forte quebra do turismo internacional (que está a ocorrer em todos os mercados), setembro foi suportado novamente pelo mercado doméstico. O gabinete de estatística mostra que as dormidas de residentes terão diminuído 8,5% face a setembro de 2019 e 2,1% em comparação com agosto. As de não residentes terão decrescido 71,9% em relação ao período homólogo, e 72,0% face ao mês anterior.

Setembro contou com algumas diferenças face a agosto. Além de ser o regresso ao trabalho e à escola para muitos, Portugal voltou a sair da lista de destinos considerados seguros para o Reino Unido, o que significa que quem regressa a solo britânico a partir de Portugal tem de cumprir quarentena.

O Reino Unido é o principal mercado emissor de turistas para Portugal e com as regras aplicadas a segunda época alta do golf, que arrancou precisamente no mês passado, ficou penalizada, o que tem efeitos na atividade turística. Além disso, é necessário ter em conta que em setembro, os números relativos à pandemia de covid-19 aceleraram um pouco por toda a Europa e as viagens transatlânticas são residuais.

Antes da pandemia, os mercados norte-americano e brasileiro estavam a crescer significativa. Todavia, com a pandemia essa "porta" está praticamente fechada.

A estimativa rápida do INE revela ainda que em setembro, 24,3% dos estabelecimentos de alojamento turístico terão estado encerrados ou não registaram movimento de hóspedes.

Nos próximos meses, possivelmente, muitas unidades de alojamento local vão manter-se de portas fechadas devido à falta de procura. Ainda recentemente, o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) notou à agência Lusa que, "durante o inverno, antes da pandemia, cerca de 50% dos hotéis e empreendimentos já encerravam", advertindo que este número pode subir e deixar apenas menos de 30% dos hotéis e empreendimentos em atividade durante o inverno que se avizinha.

"Este ano as nossas expectativas vão para a volta dos 70%, podendo este número ser mais elevado ainda", afirmou Elidérico Viegas sobre as perspetivas da AHETA para a época baixa de 2020/2021, frisando que já "no final de setembro muitas unidades fecharam a atividade e encerraram".

(Notícia atualizada pela última vez às 11h49)

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