Terceira loja de rua de Havaianas a um passo do Porto

"A Vanessa Oliveira também é fã dos Mínimos", lê-se num <em>post</em> publicado no Facebook da marca brasileira de chinelos de borracha Havaianas, que totaliza mais de 5,6 milhões de fãs em todo o mundo.
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Mas muitos deles, certamente, residentes no norte de Portugal, onde a "marca é muito querida" e que tem "recebido cada vez mais turistas." Condições que poderão pesar no momento da decisão de Havaianas abrir a terceira loja de rua, no Porto, durante 2016.

Apesar dos timings e orçamentos não estarem ainda completamente definidos, pois é preciso "ver quais as oportunidades que surgem a nível europeu e depois distribuir os investimentos", Marta Lima, country manager da Havaianas para Portugal assume que "faz todo o sentido."

A marca que chegou a Portugal em 2011 tem, até ao momento, duas lojas próprias - uma no Chiado (Lisboa) e outra em Portimão -, além do espaço no Freeport, dois espaços no El Corte Inglés e um quiosque franchisado no Vasco da Gama, Lisboa. Um universo de lojas que irá aumentar quando a Havaianas lançar, em 2017, em Portugal, a área têxtil. "Vamos precisar de uma loja com a dimensão da loja de Barcelona, 120 a 140 metros quadrados, a maior da Europa, que abrimos recentemente", diz Marta Lima.

"Uma segunda loja em Lisboa, será certamente em centro comercial, já que os portugueses estão muito habituados a comprar em shoping e não haverá tantas ruas com espaços com estas dimensões", diz a responsável da marca em Portugal.

Explicando que a nova loja em barcelona surgiu de uma oportunidade da marca conseguir mais espaço no centro comercial onde já estava localizada, Marta Lima justifica assim também porque não foi Lisboa contemplada com a abertura. A capital portuguesa até tem cada vez mais turistas, um dos públicos fundamentais para a marca Havaianas, "temos as praias, é certo, mas em termos de dimensão e praia na cidade e ambiente de calor, turismo e descontração, é Barcelona", remata.

Mas porquê a aposta no segmento têxtil? Foi por altura dos 50 anos da marca. "A Alpargatas percebeu que o consumidor queria algo mais da sua marca", explica Marta Lima. Então, a dona da Havaianas chamou consultores para estudar a marca e perceber até onde ela podia ir. "E percebeu, sempre num conceito de verão, que existiria uma série de categorias que casavam bem com o calçado - teríamos outras, como óculos de sol, chapéus, bonés, mas o têxtil foi a mais óbvia", explica a responsável.

A linha têxtil, que é ainda muito recente, está à venda no Brasil em cinco lojas. "É um projeto que ainda está a ser desenvolvido e em afinação", em termos de "cortes, design, prints, shape", diz Marta Lima.

Afinal de contas, Havaianas é uma empresa "que faz calçado - fazer sandálias é o nosso core business e vai continuar a ser - com alguns complementos", frisa a responsável portuguesa. E tudo feito na casa-mãe, no Brasil. Desde o design à produção. Alpargatas tem mais de 18 mil empregados, a grande maioria nas suas fábricas próprias, o que faz dela a maior empresa de calçado da América Latina.

Do lado de cá do Atlântico, Havaianas, que tem cerca de 200 clientes ou revendedores - não consumidores, pois esses são bem mais - com mais de 600 lojas, também tem razões para dizer que é grande.

Desde logo Havaianas é uma marca com 98% de reconhecimento imediato pelos portugueses, sendo uma love brand em Portugal com valores de vendas per capita superiores a qualquer outro país da Europa, "apesar não sermos dos que têm mais habitantes", frisa Marta Lima.

E porquê? "É um mix. Tem a ver com o clima, é certo, mas também com a afinidade entre os povos (telenovelas, música), com a relação dos portugueses com a marca - distribuidor foi dos primeiros a trazer Havaianas para a Europa -, que já a consideram um bocadinho sua, entrando na sua vida, na praia, mas também na esplanada...", responde Marta Lima.

Alpargatas entrou em Portugal em 2010, no pico da crise e, em 2011, abriu os seus escritórios. "Desde aí, atravessou todos os momentos de forma positiva, com as vendas aos clientes sempre a crescer. Durante esse período, a Havaianas cresceu 5%, duplicando todos os anos as unidades vendidas. Para este ano, a marca "está mais perto dos 10 milhões de euros do que dos 5 milhões, representando um crescimento de 4 a 5% face a 2014", revela a responsável.

Um em cada 60 portugueses compra um par de Havaianas, estando a marca já bastante acima do meio milhão de pares vendidos. Tudo isto graças a fortes investimentos a nível de marketing - 14% das vendas líquidas anualmente -, além da proteção da marca contra a contrafação.

Apesar de no Brasil, Havaianas fazer muita televisão, em Portugal, aposta sobretudo no digital, mais de 50% a nível europeu. Depois há as ações de star entertainment, RP, e retail marketing nas lojas dos clientes e nos espaços próprios. Onde estão todos os modelos, desde os best-sellers ao novíssimo modelo com os anõezinhos amarelos, Mínimos.

Mas tudo começou há 30 anos com um modelo, tradicional, sola branca com tira igual parte de baixo da sola. As classes sociais mais altas usavam Havaianas, mas não queriam que fossem iguais às da empregada de casa ou do jardineiro, então tiraram as tiras, viraram a sola da mesma cor da tira e ficaram com uma sandália mono-cor. E assim nasceu o modelo top, que é um best-seller em Portugal.

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