Zé Pedro

Opinião

Brilho de antiestrela

Tinha pinta de estrela, especialmente quando subia ao palco, onde se sentia “mais completo” (recorro aqui a uma conversa com mais de uma dúzia de anos), enchia-se de orgulho quando o “aproximavam” de Keith Richards, um dos seus heróis do rock e, em particular, da guitarra (outra conversa, em cima da publicação da biografia do Rolling Stone, em que ninguém no Alfa Pendular percebeu as gargalhadas e o entusiasmo de dois “maduros”, por acaso sentados lado a lado). Depois, na “vida civil”, sempre lhe conheci uma generosidade rara - ainda ontem ouvimos o Adolfo Luxúria Canibal recordar que, nos primeiros tempos dos Mão Morta, o grupo de Braga chegou a utilizar instrumentos dos Xutos & Pontapés, com empréstimo intermediado pelo Zé Pedro; ainda ontem ouvimos o Luís Montez referir as enérgicas insistências do Zé Pedro para que fosse dado espaço a novas bandas e novos músicos nos festivais que o Luís organiza. Era a antiestrela, disponível, interessado, conciliador de ideias fortes, e ainda tinha aquele sorriso que abraçava toda a gente. Talvez por isso, pela simplicidade magnética, nunca se ouviu ninguém chamar-lhe José - era o Zé Pedro e bastava.