Timor-Leste

Opinião

Díli, 30 de agosto de 1999. Por Susete Francisco

O dia começou cedo. Eram umas quatro da manhã quando saímos da casa da família timorense onde estávamos alojados - eu, que estava em Timor pelo Diário Digital, jornal online que tinha então pouco mais de um mês de vida, e o Albano Matos, veterano repórter do Diário de Notícias, falecido em 2015, uma asa protetora para esta recém jornalista, então com 23 anos. É do Albano a primeira memória que tenho desta viagem. Estávamos no aeroporto e, pela primeira vez, caiu-me a ficha: "Vou para Timor, vou mesmo para Timor". Deve ter-se notado. "Estás com medo?", perguntou o Albano. Sorri-lhe, sem responder. Respondeu ele: "Não faz mal".

Opinião

Uma ilha atravessada na garganta. Por João Pedro Henriques

Isto foi mesmo assim, juro. A avô Ermelinda avisou-me: "Se fores a Timor, bebe muito gin tónico. Tem quinino. Protege-te do paludismo." Ela sabia, tinha lá vivido com o meu avô, ainda antes da II Guerra. Foi o que fiz quando embarquei, algures em março de 1992, em Darwin, no norte da Austrália, num ferry, o "Lusitânia Expresso", sobrelotado de ativistas e jornalistas que pretendiam rumar a Díli, na "Missão Paz em Timor". O objetivo era colocar uma coroa de flores no cemitério de Santa Cruz, em homenagem às vítimas do massacre que em novembro do 1991 tinha colocado Timor nas primeiras páginas da imprensa mundial (de onde nunca mais saiu até ao referendo da independência, em 1999).