Timor-Leste

20 anos da consulta popular

A festa do referendo timorense ficou manchada pela violência das milícias

A independência tornara-se inevitável para Timor-Leste. Mas os militares indonésios e as milícias integracionistas vão tentar uma última jogada: a intimidação pela violência. Não terão sucesso. Mas os dias e as semanas anteriores e seguintes à votação de 30 de agosto de 1999 vão ser vividos numa atmosfera de medo, morte e destruição.

Opinião

Díli, 30 de agosto de 1999. Por Susete Francisco

O dia começou cedo. Eram umas quatro da manhã quando saímos da casa da família timorense onde estávamos alojados - eu, que estava em Timor pelo Diário Digital, jornal online que tinha então pouco mais de um mês de vida, e o Albano Matos, veterano repórter do Diário de Notícias, falecido em 2015, uma asa protetora para esta recém jornalista, então com 23 anos. É do Albano a primeira memória que tenho desta viagem. Estávamos no aeroporto e, pela primeira vez, caiu-me a ficha: "Vou para Timor, vou mesmo para Timor". Deve ter-se notado. "Estás com medo?", perguntou o Albano. Sorri-lhe, sem responder. Respondeu ele: "Não faz mal".