João Marcelino

João Marcelino

Cristiano Ronaldo ainda é a grande dúvida portuguesa

Os últimos três jogos de preparação para o Mundial foram elucidativos acerca da diferença que separa a seleção portuguesa sem e com Cristiano Ronaldo (CR). À dimensão individual, normal e inevitável, soma-se o efeito da motivação e da confiança. Para além daquilo que só CR sabe fazer, há também tudo o que os outros se sentem capazes de realizar debaixo da tutela do capitão, como foi o caso do jogo com a República da Irlanda (5-1).Cristiano Ronaldo liberta a equipa, mesmo que em sub-rendimento e pouco participativo na manobra defensiva.

Mundial 2010

JOÃO MARCELINO: Portugal - Espanha - uma rivalidade e dois estilos

O próximo jogo do Mundial, com a Espanha, campeã da Europa, remete-nos para uma rivalidade histórica (35 jogos, com 7 V, 12E, 16D), em que até temos vantagem nos últimos 60 anos (4V, 7E, 3D) - e, na actualidade, para dois estilos antagónicos. A Espanha (com o Brasil) é a equipa mais competente do mundo a gerir a posse de bola e volta a ter Iniesta junto a Xavi; Portugal cultiva agora (pós-Figo e Rui Costa) um jogo muito vertical, assente em rotinas defensivas bastante consolidadas.

JOÃO MARCELINO - Crónica do jogo Portugal-Coreia do Norte (7-0)

Nem era preciso tanto!

Sete golos, duas bolas nos postes (Ricardo Carvalho, 6, e Cristiano Ronaldo, 70)! Não era preciso tanto! Só era necessário ganhar, jogando bem, à equipa n.º105 do ranking FIFA. Ninguém pedia que se passasse de um jogo nulo (com a Costa do Marfim) para uma goleada histórica, que marca o Mundial até ao momento e praticamente garante a qualificação portuguesa para a fase seguinte. 

Mundial 2010

JOÃO MARCELINO: Uma equipa sob várias suspeitas

Para que não fiquem dúvidas: acredito mais depressa na eventual lesão de Nani do que na possibilidade de esta equipa de Portugal poder ser campeã do mundo ou andar sequer lá perto (e muito gostaria de estar enganado). O futebol não é uma ciência, mas tem mais lógica do que ensinam alguns professores do jogo. Trata-se, sobretudo, de jogadores. E esta é a selecção portuguesa de futebol com menos valores individuais do século XXI. Por consequência, como de resto se viu durante a fase de apuramento, o colectivo é inferior ao que estávamos habituados. Há jogadores, como Deco, que já passaram a melhor fase. O meio-campo é banal. Cristiano Ronaldo é um génio, mas já não tem o apoio da experiência e personalidade de Figo e até perdeu de forma suspeita a companhia do talento emergente de Nani. Há um novo ciclo a iniciar-se e a força do colectivo não emerge de forma a suprir as necessidades evidentes.