Joana Amaral Dias

Joana Amaral Dias

Médicos & monstros

O pneumologista e influencer sanitário, Filipe Froes recebeu milhares de farmacêuticas enquanto andou, simultaneamente, a recomendar o uso dos produtos dessas mesmas empresas. Foi o antigo jornalista Pedro Almeida Vieira que, prestando um verdadeiro serviço público, investigou e denunciou este caso (e vários outros) nas redes sociais, revelando quer a actual debilidade de muito jornalismo quer o viço de outros meios (que por isso também são tão atacados).

Joana Amaral Dias

Portugal em extinção

Portugal está a morrer. Devagar, mas consistentemente, o país definha, está em decadência. O decréscimo da população é assustador: nascem pouquíssimos bebés, muitos jovens emigram e o que realmente não pára de aumentar são os idosos: classificamo-nos como o quinto país mais envelhecido do mundo. E que nação pode sobreviver a desequilibrar-se cada vez mais para um lado, a inclinar-se para o litoral, afogando-se enquanto é assolada em todo o território por um duro Inverno demográfico?

Joana Amaral Dias

Moles e amanteigados 

Sabia que, doravante, o Ministério Público pode vasculhar os seus emails sem a autorização de um juiz? PS, BE e PAN aprovaram uma alteração legislativa que permite apreender comunicações electrónicas, no âmbito de investigações ao cibercrime, sem ordem de um juiz de instrução criminal. De novo, como aconteceu com a abusiva e perversamente intitulada Carta dos Direitos Humanos na Era Digital (lei que oficializa a censura em Portugal), desta vez a coisa também resulta da transposição de uma directiva europeia.

Joana Amaral Dias

Obedeçam

Eis o futuro: cidadãos vacinados podem ser infectados e podem transmitir a infecção (tal como os não vacinados), mas vai na mesma haver "certificados digitais covid". Sabem porquê? Porque é fundamental distinguir entre portadores do coronavirus vacinados de infectados não-vacinados. Nesta perigosa gestão política da covid, a discriminação joga um papel essencial - o de criar novas e profundas fracturas sociais, dividir para reinar, atirar o roto contra o nu. No final, alguém que morra contaminado por alguém vacinado não será tão grave nem tão condenável como alguém que adoeça depois de um não-inoculado lhe ter transmitido o virus. Vacinados espalharem a covid é aceitável. Não vacinados fazerem o mesmo?! Nem pensar. Esses são vistos como ameaça a abater.

Joana Amaral Dias

Terceira guerra 

Após novos indícios de que o vírus surgiu no laboratório em Wuhan, na China, o Facebook anunciou que não continuará a excluir as publicações que falem sobre a origem humana da covid-19. A sério? Estão à espera que agradeçamos? Podemos permitir que as redes sociais e outros meios de comunicação se transformem no Ministério da Verdade e sentenciem o que é falso ou não? Esta é a magna questão política (e jornalística) destes tempos. Mas vamos por partes.

Joana Amaral Dias

Porreiro, pá!

Eis que finalmente chega a Estratégia Nacional de Combate à Corrupção. Só que não. De fora deste decreto-lei ficam os gabinetes dos principais órgãos políticos e todos os órgãos de soberania, assim como o Banco de Portugal. Já se sabia que se tratava de uma mão cheia de nada, outra de coisa nenhuma, um verbo de encher convenientemente esquecendo áreas nervo como as funções políticas, branqueamento de capitais, regime de incompatibilidades ou contratação pública. Ou seja, a coisa empolada pelo pomposo nome Estratégia Nacional jamais passou de uma lista de vãs intenções, criticada pelos magistrados porque não inclui o enriquecimento ilícito, rejeitada pelos juizes porque ignora o financiamento partidário, sem calendarização, falha de objectivos definidos, manca de meios. Na "Estratégia" há pouco e é para as calendas, embora não se prescinda de criar novos organismos (tachos?!) que irão juntar-se ao corredor da morte onde jazem os demais: entidade de contas e financiamento partidário; conselho de prevenção da corrupção; entidade da transparência. O governo esvai-se a parir e a multiplicar institutos que se resumem a carcaças ocas: cadáver adiado que procria.

Joana Amaral Dias

Cheira mal, cheira a Lisboa

Veremos se Medina e Manuel Salgado são ou não corruptos. Para já, uma coisa é certa: o sistema montado pelo Sr. Feliz e pelo Sr. Contente, com concentração de poder, zero transparência, primado dos interesses privados (e não públicos), adjudicações directas, criação de "vias rápidas da reabilitação", contratação em barda de arquitectos-estrela; regimes fiscais especiais, leis-alfaiate, acumulação de poderes nas "sociedades de reabilitação urbana", são cama fértil da corrupção. Cama prenha. Há anos que Lisboa está a saque e que a sua Câmara Municipal passou a colossal central de negócios, onde manda um edil-infante e um "Dono Disto Tudo", outro Salgado, o homem que mais tempo esteve no poder nos Paços do Concelho (primo de Ricardo), controlando o acesso a todas as encomendas.

Joana Amaral Dias

Portugal vestiu a camisola

A camisola poveira tem mais mais de 150 anos e está, há meses, em processo de certificação. Feita de lã branca da serra da Estrela e decorada a ponto de cruz a preto e vermelho, com vários motivos de inspiração minhota - remos, boias, caranguejos e até as armas da coroa -, é uma peça bem expressiva da nossa identidade. Ora, Tory Burch (mais comercial que criadora) copiou-a, erguendo assim um imenso amor à pátria, adicionalmente espicaçado pelo facto de identificar a indumentária como mexicana, vendê-la por 700 euros, imitar as peças do Bordallo e ainda posicionar a sua marca como politicamente correta, socialmente responsável ou inclusiva (marketing muito em voga).

Joana Amaral Dias

Eterna semana de ponte

Foi você que pediu uma semana de só quatro dias de trabalho? Espanha já a ensaia e cada vez mais empresas e países testam e implementam esta nova tendência laboral. No ano passado, a Microsoft do Japão experimentou esse horário de fim-de-semana prolongado. Verificou-se um aumento de produtividade de 40%, uma redução em 23% na conta da electricidade e uma percepção positiva de 90% dos colaboradores, associada à redução do trânsito. Quatro dias com 32 horas de trabalho já existe, agora também aqui ao lado, e, portanto, não é uma quimera de unicórnios e preguiçosos, mas sim uma mais-valia para quem trabalha mas quer viver e que junta diferentes benefícios, como o aumento do rendimento profissional, a criação de emprego e a atenuação da pegada ambiental. Afinal, nunca se produziu tanto como actualmente, o que significa que devemos começar a trabalhar menos para reequilibrar os ganhos.

LEIA HOJE NO DN

"Não sei se Seguro é passado e Costa é futuro"

A psicóloga e ex-deputada pelo Bloco de Esquerda nega ter-se aproximado do Partido Socialista: "Só apareci num evento do PS porque António José Seguro convidou-me para discursar na convenção Novo Rumo." Quanto à situação do PS, considera normal: "Seguro faz parte desse conjunto de dezenas de líderes na oposição em Portugal e na Europa que foram desafiados quando chegou o momento de conquistar o poder." Daí que afirme: "Não tenho a certeza se Seguro vai ser passado e Costa futuro."