Joana Amaral Dias

Joana Amaral Dias

Bufo real 

Para começar a preparar as celebrações dos 50 anos do 25 de abril, só faltava mesmo este ataque grave a manifestantes. Oportuno, não é? Esclareça-se desde já que no ordenamento constitucional e legal português nenhuma entidade ou órgão tem o poder de autorizar nem, por maioria de razão, de proibir o exercício do direito de manifestação. Ou seja, nem sequer há o dever de aviso prévio destas reuniões, como se costuma alegar, quanto mais a legitimidade em fichar participantes.

Joana Amaral Dias

Terceira guerra 

Após novos indícios de que o vírus surgiu no laboratório em Wuhan, na China, o Facebook anunciou que não continuará a excluir as publicações que falem sobre a origem humana da covid-19. A sério? Estão à espera que agradeçamos? Podemos permitir que as redes sociais e outros meios de comunicação se transformem no Ministério da Verdade e sentenciem o que é falso ou não? Esta é a magna questão política (e jornalística) destes tempos. Mas vamos por partes.

Joana Amaral Dias

Cheira mal, cheira a Lisboa

Veremos se Medina e Manuel Salgado são ou não corruptos. Para já, uma coisa é certa: o sistema montado pelo Sr. Feliz e pelo Sr. Contente, com concentração de poder, zero transparência, primado dos interesses privados (e não públicos), adjudicações directas, criação de "vias rápidas da reabilitação", contratação em barda de arquitectos-estrela; regimes fiscais especiais, leis-alfaiate, acumulação de poderes nas "sociedades de reabilitação urbana", são cama fértil da corrupção. Cama prenha. Há anos que Lisboa está a saque e que a sua Câmara Municipal passou a colossal central de negócios, onde manda um edil-infante e um "Dono Disto Tudo", outro Salgado, o homem que mais tempo esteve no poder nos Paços do Concelho (primo de Ricardo), controlando o acesso a todas as encomendas.

Joana Amaral Dias

Portugal vestiu a camisola

A camisola poveira tem mais mais de 150 anos e está, há meses, em processo de certificação. Feita de lã branca da serra da Estrela e decorada a ponto de cruz a preto e vermelho, com vários motivos de inspiração minhota - remos, boias, caranguejos e até as armas da coroa -, é uma peça bem expressiva da nossa identidade. Ora, Tory Burch (mais comercial que criadora) copiou-a, erguendo assim um imenso amor à pátria, adicionalmente espicaçado pelo facto de identificar a indumentária como mexicana, vendê-la por 700 euros, imitar as peças do Bordallo e ainda posicionar a sua marca como politicamente correta, socialmente responsável ou inclusiva (marketing muito em voga).