Francisco George

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Pobreza - Doença - Pobreza

É preciso falar sobre pobreza. Pois, são muitos os portugueses que estão em risco de pobreza ou de ficarem na condição de socialmente excluídos. Estimativas já de 2022 calculam que são mais de 2,3 milhões de pessoas. O equivalente 22% da população. Uma dimensão incompreensível em regime democrático. Inadmissível. Intolerável. Quase 50 anos depois da Aclamação da Democracia, ninguém pode aceitar tal magnitude da pobreza. Nem concordar com a sua persistência. Nem ser indiferente a tanta desigualdade.

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A futura lei para as epidemias

Ultimamente voltou a debater-se a questão sobre a constitucionalidade da imposição do confinamento obrigatório por razões de controlo de epidemias. Este assunto regressou à agenda pública a propósito do Anteprojeto de Lei de Proteção em Emergência de Saúde Pública, recentemente divulgado pelo Gabinete do Primeiro Ministro. Ainda bem que assim acontece. Agora é possível equacionar o problema de uma forma participativa, aberta e responsável.

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O segredo dos gémeos (III)

Na perspetiva da divulgação da génese das gravidezes múltiplas foram já aqui descritas as principais diferenças entre os dois tipos de gémeos: os idênticos e os diferentes ou, também, designados como gémeos falsos. Em qualquer das duas situações, existe um sentimento de fraternidade singular, mas que é ainda mais especial quando partilham o mesmo património genético pela evidente cumplicidade redobrada que se estabelece entre eles. Neste caso, os dois irmãos desenvolveram-se a partir de um só embrião. Tudo começou como se tivesse sido apenas um, visto que no início da gravidez o ovo fecundado era o mesmo (a divisão do ovo que irá dar origem aos gémeos surgirá por volta do quarto dia depois da fecundação).

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Bactérias & vírus, elefantes & formigas

Para descrever agentes infecciosos tão diferentes como bactérias e vírus, a título meramente pedagógico, começa-se por resumir a célebre fábula do elefante e da formiga que, apressadamente, caminhavam, lado a lado, em plena savana africana: eis senão quando, já no fim da estrada de terra batida, antes de chegarem ao lago para onde se dirigiam, a formiga olha para trás e diz para o elefante: "Ó elefante, repara na poeira que nós os dois levantámos!"

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Saber comunicar

O médico de família, ao atender um doente, começa por elaborar a sua "história clínica" que tem um itinerário idêntico em todas as situações. Primeiro é o próprio doente que começa por relatar pormenorizadamente o início e as características das queixas que motivaram a marcação da consulta; a seguir é o médico que recolhe as respostas às perguntas que formula sobre doenças anteriores e comportamentos, bem como sobre antecedentes familiares. A fase seguinte resulta da observação que inclui auscultação cardíaca e pulmonar, palpação abdominal, pulso, medição da tensão arterial e exames complementares. No final, o médico chega à presunção de diagnóstico e prescreve a medicação que julga pertinente. Termina ao transmitir, com clareza, as recomendações e os conselhos que o seu doente deve ter em conta para melhorar. Obrigatório saber comunicar em clínica.