Super bock e Sagres mudam imagem

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Não há coincidências. E no mercado das cervejas muito menos.

Pressionadas pela queda do consumo (-5%, em 2011), e porque o calor

está aí, a Sagres e a Super Bock põem os seus departamentos de

marketing a mexer (o comercial também não escapa). E é ver o

corrupio de reposicionamentos e rebranding de produto.

A cerveja da Sociedade Central de Cervejas (SCC) foi a primeira a

anunciar a mudança de imagem, a 15 de março, mas só chegará às

garrafas no início de abril. Curiosamente, foi a 15 de março que a

Unicer pôs à venda a sua cerveja com nova imagem, a mesma que

apresentou apenas no dia 29, com a campanha publicitária que

assinala o reposicionamento A Vida É Super.

A guerra rebentou de novo e só o consumidor poderá decidir quem

ganha. Para tal, o preço conta e muito, mas os marketeers argumentam

que uma boa imagem é tudo. Daí terem ido buscar os melhores. A

Sagres, que quis reforçar os valores da portugalidade, foi buscar a

Claessens International.

Uma agência de design e packaging do Reino

Unido para comunicar a portugalidade, quando existem várias

nacionais e até premiadas? Sim, e pagou meio milhão de euros,

porque, justifica Nuno Pinto Magalhães, diretor de comunicação e

relações institucionais da SCC: "Abrimos um concurso em que

participaram várias empresas portuguesas [que não revela], mas a

proposta da Claessens pareceu-nos a melhor", tanto mais que "foi

a que deu provas de conhecer melhor a história da Sagres, condição

essencial para este trabalho", o que advém do facto de "ter

trabalhado para a marca em ocasiões anteriores - nos rebrandings de

1992 e 1995".

O resultado é uma imagem em que o escudo, com as quinas -

presente na marca desde 1940 -, ganha maior visibilidade, através do

dourado e das cores nacionais - o verde e o encarnado. E é para ser

aplicada em todos os mercados em que está presente. Se vai ou não

ajudar a subir as vendas da marca lá fora? "A exportação é

um dos fatores de crescimento do nosso negócio, numa altura de

quebra de consumo generalizado em Portugal", diz Pinto

Magalhães, não arriscando uma previsão.

Já a Super Bock escolheu a Design Bridge, empresa com 25 anos de

experiência e escritórios em Londres, Amesterdão e Singapura, com

clientes de peso como Pernod Ricard, Mars ou Panasonic. "Uma

empresa bastante reputada", defende João Esteves, diretor de

marketing de cervejas da Unicer, justificando que a mudança de

imagem é um trabalho com "muitas nuances", pois "estas

empresas que trabalham bebidas alcoólicas têm já uma semiótica,

um conhecimento da simbologia... O que para nós é um círculo, para

eles, composto com mais dois símbolos, é uma imagem e tem um

significado completamente diferente. Isto acontece depois de se criar

muitas marcas em muitos países e de se ter uma especialização."

João Esteves remata: "Em Portugal, não temos um mercado para

que uma agência se possa especializar nesta missão, razão por que

vamos lá fora."

Mas a mudança de imagem casa com a nova campanha publicitária,

totalizando 10 milhões de euros de investimento. O que faz que,

nesta altura, o projeto seja "absolutamente único para a Super

Bock evoluir. Não é uma revolução, é uma evolução", diz o

diretor de marketing, explicando que esta foi também a ideia do

briefing, passada à agência Euro RSCG, que se estreia na Super Bock

depois de 15 anos de ligação da marca à Strat.

"Quisemos

olhar para o que sempre esteve na génese da Super Bock", diz,

para lembrar que "reza a história que o nome Super Bock vem de

um momento em que se estava a fazer uma cerveja bock [baixa

fermentação e alto teor alcoólico] e quem provou disse: 'Isto não

é uma bock, é uma superbock'. Daí olharmos para dentro, para saber

em que é que a marca acredita e o que é que quer representar, para

decidir o que queremos ser e fazermos por isso. E isso é 'Bom.

Ótimo. Super'."

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